CAMINHONEIROS Caminhoneiros: Confusão na elaboração da tabela de frete mínimo poderá impactar preços no varejo

De um lado os caminhoneiros que pediram e conseguiram uma tabela de fretes mínimos a ser utilizada no Brasil. Do outro, os representantes do setor produtivo que combatem a primeira tabela, cujo valor deverá encarecer e muito a vida do cidadão brasileiro, pois o frete encareceria em demasia os produtos e os custos teriam que ser repassados aos consumidores finais.

No dia 27 de maio, uma medida provisória estabeleceu o valor do frete mínimo para quem trabalha no setor de transporte rodoviário de cargas. A elaboração dessa tabela é parte do acordo entre governo e caminhoneiros para o encerramento das paralisações da categoria, que afetou o abastecimento em todo o país.

Especialistas e representantes do setor produtivo, no entanto levantaram questão sobre o impacto que essa tabela trará no custo de vários setores da economia. Segundo economistas, esses efeitos afetarão diretamente o consumidor final que deverá sentir o efeito nos preços das mercadorias, que deverão sofrer alterações.

RENOVA TABELA E REVOGA TABELA

Com o pedido dos representantes do setor produtivo, o governo divulgou, nessa quinta-feira (7), uma nova tabela. Poucas horas depois, o Ministério dos Transportes informou que a nova tabela seria revogada. De acordo com a pasta, a decisão foi tomada porque os caminhoneiros reagiram negativamente aos novos valores definidos. Ainda segundo o órgão, volta a valer a tabela publicada em 30 de maio.

IMPACTO

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação, Wilson de Mello, tabelar o preço mínimo dos fretes irá aumentar o custo da logística da indústria de alimento em até 80%.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) já diz que não só cidadãos comuns e empresários, mas também os próprios caminhoneiros autônomos terão prejuízos incalculáveis com a medida. De imediato, desde que a tabela mínima entrou em vigor, diversas indústrias reduziram as remessas de cargas. A CNI também está avaliando possíveis medidas judiciais e administrativas contra as normas que estabeleceram valor mínimo de transporte de carga para o Brasil.

CAMINHONEIROS DESCONTENTES

O representante dos caminhoneiros autônomos de Rio Claro, Gilvon Barbosa, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos Rodoviários de Pessoas, de Bens e de Cargas de Rio Claro – Sintrarc, declara que os caminhoneiros estão descontentes e inseguros com a situação atual.

“Enquanto estiver essa indefinição o caminhoneiro está perdido. Você concorda comigo que em apenas um dia foram três tabelas. Era a antiga, que virou a nova que voltou a ser a antiga. E parece que sexta-feira (8), teria outra. Enquanto estiver assim, é claro que o caminhoneiro está completamente descontente né.” De acordo com Gilvon, a primeira tabela satisfazia aos caminhoneiros, mas que agora tudo depende de conversas e negociações.

“A primeira tabela é a que os caminhoneiros combinaram com o governo. Mas parece que a indústria não ficou contente, acho que ela queria continuar pagando aquela miséria, né? Aí fizeram outra, que não foi do agrado do caminheiro, mas há uma negociação aí. Mas a primeira era bem melhor que a segunda”, finalizou.

SUPERMERCADOS

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) alertou através de nota que os preços nos supermercados serão fortemente impactados, reduzindo o poder de compra da população, em consequência do estabelecimento de tabela com preços mínimos para o transporte de cargas pelo governo.

Os setores produtivo e industrial já sinalizaram que a variação para maior na logística de entrega encarecerá as mercadorias em percentuais que podem chegar a até dois dígitos de aumento. Aliado a isto, com a alta do dólar, não só a produção nacional, mas também produtos importados ou que levem matéria-prima importada no processo de fabricação sofrerão impactos nos preços.

ROUPAS

Na opinião do presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, Fernando Valente Pimentel, o tabelamento do valor mínimo para o frete de cargas representa um retrocesso para o país. “O tabelamento não resolve nada. O tabelamento é um retrocesso. Houve aí muitos tabelamentos que sempre terminaram, no mercado paralelo, com menos investimentos, escassez, e no final, perda para a sociedade. Então, nós somos contra esse tabelamento, que vai contra a livre iniciativa. Ele chega às raias da inconstitucionalidade e, obviamente, está trazendo um prejuízo para todo o país.”

De acordo com Fernando Valente Pimentel, o tabelamento do preço mínimo do frete de cargas também irá interferir diretamente no valor das roupas da população, por exemplo. “Vai impactar o preço do vestuário, principalmente para as pessoas de menor renda, porque quanto maior o valor agregado, maior o preço do frete. Portanto, nós entendemos que não é a solução, pelo contrário, tenta-se resolver um lado dessa equação que são os caminhoneiros, que tem que ser resolvido sim, por outro lado temos a diminuição da atividade econômica, o que acaba gerando o fato de não ter carga para ser transportada.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *