O MILAGRE DO AMOR

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Por Geraldo J. Costa Jr.

16/5/2018

O milagre do amor levará embora a sua dor. Duvido que haja alguém neste mundo que ao menos por um instante não tenha acreditado nisto.

Mas quando se chega a certa fase da vida, aquela em que se pesam prós e contras antes de se tomar alguma decisão, por mais insignificante que seja, chega-se também a duvidar se de fato o amor levará embora a nossa dor.

Se você tem a resposta, caro leitor, saiba que és um sortudo, porque eu não a tenho.

Não vou lhe dizer que um dia, lá pelos idos dos meus distantes 19 anos, o amor não tenha vindo em minha direção, como canta Annie Lennox, naquela que talvez seja a mais conhecida e cultuada canção de sua banda Eurythmics. Acontece com todo mundo ao menos uma vez na vida. Mas geralmente, queira Deus eu esteja errado, geralmente o amor vem e vai, e deixa uma dor.

É algo que incomoda, machuca, mas com o tempo a gente aprende a conviver. O tempo não cura feridas. Não as da alma. Mas torna as feridas menores e menos doloridas.

Mas o milagre do amor existe. Que outro poder sobrenatural faria o mundo viajar no espaço infinito a uma velocidade de 107 mil quilômetros por hora, sem que fossemos cuspidos para longe?

Que outra força descomunal faria um ser carregar outro dentro de si durante 9 meses e ser capaz de recebe-lo com afeto, ternura, carinho depois de fazê-lo a custa de muito esforço, sangue e sacrifício, conhecer o que é o mundo e a vida do lado de cá?

Não houvesse o milagre do amor, o que nos convenceria se sujeitar a uma rotina onde dedicamos o melhor de nós para coisas transitórias, superficiais e na maioria das vezes inúteis, mas que chamamos com orgulho de trabalho, compromisso, objetivos.

Se nossa meta neste mundo é aprendermos a amar, haja milagre, porque estamos bem longe do ideal.

Mas quando a gente se depara com o sorriso de uma criança, quando a gente acorda e encontra aquele olhar de satisfação da parte da pessoa com a qual dividimos a cama e nossas vidas, como se ela nos dissesse, que bom que você está aqui! Então, a gente se convence que o milagre do amor existe sim!

O colaborador é escritor

Autor de “A Tarde Demora a Passar” (editora Lexia 2012), O Intermediário (editora

Lexia 2014), Sob o Manto da Noite (editora Multifoco 2015), e do conto “Reprise”,

publicado na antologia “Ensaios”, editora IDE, 2017. Escreve artigos de opinião e

crônicas para sites, jornais e revistas. É autor de romances, contos e poemas,

inéditos. Desde 2008, mantém o Blog Passa a Régua, onde escreve habitualmente.

jcostajr2009@gmail.com

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