ESPECIAL: Profissionais da saúde denunciam casos de violência

Neste sábado (12), em que se comemora o Dia do Profissional da Saúde, o Diário do Rio Claro destaca uma situação que afeta todo o setor da saúde: a violência

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Situação que afeta todas as regiões do País, a violência contra os profissionais da saúde é uma realidade. São inúmeros os relatos de enfermeiros, médicos e demais profissionais, que já sofreram algum tipo de violência, seja verbal, psicológica e até mesmo física. Pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) mostrou que 75% dos médicos e enfermeiros do estado já sofreram algum tipo de violência no ambiente de trabalho. Em primeiro lugar, foram relatados casos de violência verbal, seguidos de agressão psicológica e, por fim, física.
O Diário do Rio Claro foi procurado por médicos e enfermeiros que atuam na saúde do município, que se queixaram de diversas situações que vêm colocando em risco a profissão. Segundo uma enfermeira, que terá sua identidade preservada, a agressão mais frequente são os insultos durante os atendimentos e também as agressões com palavras nas redes sociais. “As pessoas pensam que é normal, mas isso é uma forma de agredir, de denegrir nós profissionais”, desabafou.
De acordo com a profissional, há ainda outros relatos de pessoas que, inconformadas com tempo de espera ou outras situações, xingam e gritam, ofendendo servidores. Uma médica, que também terá a identidade preservada, contou que os casos não são apenas em Rio Claro. “Outro dia um enfermeiro foi atacado com um suporte de soro e teve três costelas quebradas em Santa Bárbara d’Oeste.”
Para a médica, a agressividade por parte de alguns pacientes é o reflexo de um descontentamento com todo o sistema de saúde. “São Paulo ainda é um estado privilegiado, rico, com muito recurso e Rio Claro também, pois tem aparelho de Raio X, por exemplo; muitas cidades não dispõe de um aparelho, mas ainda assim há situações que geram inconformismo, como o tempo de espera e a falta de recursos para medicação. Fazemos hoje uma medicina do século passado nas unidades de saúde.”
E tudo isso, na opinião dessas profissionais, é o resultado da falta de servidores e de investimento nos setores mais simples, como a atenção básica, para evitar que pacientes, que necessitam de acompanhamento de diabetes, pressão, acabem por lotar os pronto-atendimentos. “Hoje, nas UPA recebemos desde paciente que está com uma dor na coluna, querendo medir a pressão, uma pessoa que só quer um atestado, e até mesmo alguém com um início de AVC. É do mais básico ao mais complexo”, avalia a médica.
A enfermeira lembra que muitos do setor de enfermagem lutam com rotinas estafantes, trabalhando em diversos hospitais para complementar a renda, lidando com pessoas que necessitam de atenção e, muitas vezes, sem equipamentos ou recursos. “Muitos vão para a internet para criticar e falar mal, mas como em toda profissão há bons e maus profissionais, entretanto, acredito que na saúde são poucos os que não se importam com o seu ofício. Ninguém entra para trabalhar querendo ‘matar’ alguém, querendo que o paciente fique pior. Estamos ali para ajudar e por isso contamos também com a ajuda desses usuários do serviço”, acrescentou a médica.
A Fundação Municipal de Saúde de Rio Claro informou que a atual administração retomou o Núcleo de Educação em Saúde, que realiza treinamentos e capacita os profissionais para lidar com situações adversas e prevenir gestos de violência. Segundo a Fundação, após o início dos trabalhos do Núcleo, o número de casos de violência diminuiu. “Em todos os casos registrados, são abertas sindicâncias e a pessoa que agrediu é processada na justiça”, informou a Fundação.

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