Em dois anos, a Nasa terá um drone sobrevoando Marte

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Livio Oricchio, de Barcelona, Espanha

O rover Curiosity é um complexo laboratório semelhante a um jipe, pesando na Terra 900 quilos, que se desloca, lentamente, pela superfície de Marte desde 2012. E nos permite dia a dia ganhar mais e mais conhecimento sobre o planeta vermelho.
Mas já imaginou se pudéssemos sobrevoar Marte com um drone, dotado de câmaras especiais e radar, por exemplo? Ampliaríamos exponencialmente nossa capacidade explorativa. E esse é um dado bem relevante tendo em mente a necessidade de saber o máximo possível para a instalação de uma colônia humana em Marte, da década de 30.
Boa notícia: em dois anos, apenas, a missão Mars 2020 vai levar a Marte um outro veículo nos moldes do Curiosity, embora com bem mais recursos de exploração, e com uma grande novidade: um drone. A Nasa o chamou de Mars Helicopter.
Por que ele é tão importante? O drone será de grande ajuda para, por exemplo, mapear áreas onde existam vulcões, cavernas naturais, descobrir potenciais fontes de água, mesmo sob a superfície e estado sólido, e detectar substâncias que possam ser decompostas para a produção de oxigênio, dentre outros usos.
A futura colônia de humanos em Marte precisa se proteger da radiação cósmica, proveniente principalmente do sol. Ela tem carga elétrica e a partir de determinada intensidade é letal para o ser humano. Na Terra, o campo magnético repele a maior parte dessa radiação. Marte não tem campo magnético. Mas já teve.
Esse é um dos estudos mais fundamentais dessas missões: descobrir por que Marte perdeu seu campo magnético. Se a Terra perder o seu, será o fim da vida no planeta. Entender o que se passou em Marte pode garantir a sobrevivência da vida na Terra. O campo magnético da Terra é mantido por seu núcleo de ferro, em estado líquido, se movendo com a rotação do planeta.
Outra ajuda do drone ao projeto Mars 2020 é aumentar a possibilidade de produzir oxigênio a partir do que existe em Marte. A atmosfera do planeta vermelho é 100 vezes menos densa que a da Terra e formada, principalmente, de dióxido de carbono, tóxico para nós.
A procura por cavernas no programa do drone tem esse objetivo, ver ser encontra algo que sirva de casa segura para os seres humanos não serem atingidos pela radiação cósmica e mesmo meteoritos, pois sem atmosfera tudo na superfície está mais sujeita a ser atingido por corpos do espaço. Ah, claro, a Mars 2020 visa a explorar a existência de formas de vida em Marte, mesmo que já fossilizadas.
O desafio de levar um drone a Marte é imenso. Primeiro pelo fato da atmosfera ser rarefeita ao extremo, como mencionado. As hélices não têm o que movimentar para gerar sustentação. Os experimentos na Terra, em câmaras hipobáricas, com a mesma pressão da superfície de Marte, permitiram desenvolver um drone de 1,8 quilo, equipado com um rotor movido a energia elétrica que gira a 3 mil rpm, com dupla hélice.
Se falta ar, a menor gravidade de Marte, 37% da terrestre, ajuda. Esse 1,8 quilo do drone na Terra significa, em Marte, 660 gramas.
Para se ter uma ideia do desafio, um super helicóptero, na Terra, em condições especiais, pode em um experimento voar a 12 mil metros de altitude, a dos aviões a jato, movidos a turbina e não hélices. O drone em Marte equivaleria a fazê-lo voar na Terra a 30 mil metros, ou três vezes a altitude máxima de um helicóptero experimental.
Mas a Nasa conseguiu e o enviará a Marte em julho de 2020. Os cientistas estenderão seus olhos até o planeta vermelho, bem como nós, pois as imagens serão disponibilizadas para todos. Viva a ciência e a tecnologia!

liviooricchio@gmail.com

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