ESPECIAL VENEZUELA

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Demonstrators clash with members of Venezuelan National Guard during a rally demanding a referendum to remove Venezuela's President Nicolas Maduro in San Cristobal, Venezuela October 26, 2016. REUTERS/Carlos Eduardo Ramirez TPX IMAGES OF THE DAY

ÊXODO NACIONAL
Em busca de uma vida digna longe das garras do Governo de Nicolás Maduro, cada vez mais venezuelanos deixam a sua Terra Natal

A República Bolivariana da Venezuela, que figura entre as maiores reservas de petróleo do Globo, entrou em colapso depois de quase duas décadas de corrupção e de má administração do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), fato que, conforme consta dos noticiários da imprensa mundial, eliminou a maior parte da produção do País e, por consequência, estimulou a hiperinflação, a escassez generalizada e os crimes cada vez mais violentos! Para fugir das mazelas motivadas pelo Governo Nicolás Maduro, os venezuelanos têm deixado sua Terra Natal em busca de melhores condições de vida, causando assim, um Êxodo Nacional para os países vizinhos, entre os quais, o Brasil. De acordo com informações divulgadas recentemente pela Polícia Federal no Estado de Roraima, a quantidade de refugiados subiu de quarenta em 2015 para vinte e dois mil em 2017! Para sabe um pouco mais do que acontece na Venezuela, o Diário do Rio Claro ouviu um migrante que expôs o que vivenciou até o momento em que decidiu partir em busca de Novos Horizontes.


Vivendo em Rio Claro há nove meses, Oswaldo Garcia Munoz classifica a cidade como uma Benção na vida de sua família. Desde que deixou a Venezuela em 2015, o Engenheiro Civil de trinta e três anos passou por alguns países da América do Sul e inúmeras cidades brasileiras, porém foi a Cidade Azul a que escolheu para dar um pouco mais de cor a sua existência prejudicada pelo Sistema Governamental de seu País.

Oswaldo é apenas mais um dos centenas de milhares de migrantes que continuam deixando a Terra Natal de Simon Bolivar – Líder Político que atuou de forma decisiva durante o processo de Independência da América Espanhola e dono da máxima: “Um povo ignorante é o instrumento cego da sua própria destruição”. No que diz respeito ao enorme êxodo que vem sucedendo nos últimos anos da República Bolivariana, localizada na fronteira do Estremo Norte do Brasil, o entrevistado desta Edição Especial Venezuela do Centenário relatou que o fato ocorre em decorrência da forma como o PSUV dirige suas ações, trabalhando com o intuito de manter a permanência no Poder.

“O comunismo não é uma ideologia, mas sim uma estratégia política”, defendeu Munoz que revelou ter vivenciado coisas terríveis como a morte de colegas e de crianças em decorrência da truculência e do descaso daquele Governo. “Estive em alguns protestos contra o Regime, o qual, aliás, posso dizer com conhecimento de causa é uma Ditadura, e vi um amigo ser morto a poucos metros de onde estava, aquele foi meu limite então decidi que deixaria a Venezuela”.

Era uma tarde cinza de agosto quando deixou a esposa Nataly e os filhos Manuel e Camila para sair em busca de um novo destino. “Disse a minha mulher que encontraria um porto seguro para a gente e que, logo que encontrasse, os buscaria e foi o que fiz. Hoje, estamos todos muito bem aqui, pois temos trabalho, comida, Saúde, Segurança e Educação, coisas que, infelizmente, os venezuelanos não têm mais por que tudo está em estado de calamidade; não há nem mesmo o básico, quando ainda estava lá cheguei a ver pessoas brigando pelo lixo em busca de alimento.”

Voltar a sua origem é um sonho que acredita estar distante, entretanto, assim que as coisas começarem a mudar e deixarem de ter o comando da Extrema Esquerda, pretende ajudar na reconstrução do lugar o qual recorda ter sido muito melhor em sua infância, quando Hugo Chaves não havia chegado ao poder e transformado o povo em subserviente do seu assistencialismo. “Um pouco da culpa de tudo isso é de nós mesmos, os venezuelanos, pois foi criada uma cultura de que o governo daria o mínimo para quem fizesse o mínimo, ou seja, mataram nas pessoas a vontade de superação e de correr atrás dos suas aspirações. Com isso, empresas faliram e a economia sucumbiu, pois o governo pintou a ideia de que os investidores ‘eram os porcos capitalistas’ incutindo na mente da população que ninguém podia, por mérito, ter algo que conquistasse através de seu trabalho e deu no que deu!”

Refugiados venezuelanos são abrigados em instalações provisórias em Boa Vista.

Ainda sobre a ideologia marxista que insiste em sobreviver, disse achar estranho jovens que nunca vivenciaram as agruras cometidas ‘em nome de todos’ andarem pelas ruas com camisas de ícones como Che Guevara e defenderem a Cuba de Fidel Castro. “São pessoas que não sabem o que é sentir na pele aquela máxima ‘aos amigos tudo, aos inimigos a Lei’ a quem denomino de rebeldes, pois, acredito, seja apenas um sintoma da pouca idade. O que não entendem é que o contrário de comunismo não é capitalismo, mas sim trabalho. Existe uma fábula que gosto sempre de contar: um homem chegou com uma BMW i8 em um restaurante e entrega a chave para o motorista estacionar. Congela a cena. O comunista pensaria, ‘quantas pessoas daria para alimentar com o valor desse veículo’; já o capitalista, ‘todos que trabalharam desde a construção do carro até as que atuam em sua manutenção, estão sendo alimentadas através do trabalho que prestam’. São duas maneiras de enxergar o Mundo e prefiro a segunda”, finalizou.

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