Acidentes de trabalho vitimam e deixam sequelas

Mais de 196 mil benefícios foram concedidos a trabalhadores que tiveram afastamento das atividades devido a algum tipo de problema de saúde causado pelo trabalho

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Os acidentes com quedas acontecem, na maioria das vezes, quando as normas de segurança são desrespeitadas e podem causar lesões

Em 2017 de acordo com dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) mais de 196 mil benefícios foram concedidos a trabalhadores que tiveram afastamento das atividades por mais de 15 dias devido a algum tipo de problema de saúde causado pelo trabalho. Uma média de 539 por dia. Como em todos os anos uma campanha é lançada pelo Ministério do Trabalho para prevenir e conscientizar sobre o assunto. Nesta edição da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho Canpat 2018 intitulada “Todos Contra a Doença Ocupacional, um mal invisível e silencioso”, traz um olhar com mais atenção para os adoecimentos e as quedas com diferença de nível.

São classificados como adoecimento problemas como dores nas costas, transtornos mentais (estresse, ansiedade e depressão) e LER/Dort, bem como perdas auditivas em expostos a ruídos, doenças pulmonares e câncer ocupacional. Esse é um dos focos principais da campanha por existir ainda um desconhecimento grande em relação às doenças causadas pelo trabalho. Segundo o Ministério do Trabalho as empresas ainda tendem a não reconhecer o adoecimento em decorrência do trabalho como as Lesões por esforço repetitivo (LER) e transtornos mentais que podem levar a danos permanentes.

O Ministério do Trabalho alerta que o número de notificações de doenças causadas pelo trabalho no Brasil ainda é muito baixo. As subnotificações de acordo com o órgão representam menos de 2% das comunicações no país e 1% dos óbitos.

 

 

Número de quedas também é alerta

O outro fator preocupante é referente às quedas com diferença de nível pela gravidade, apesar de o número de ocorrências parecer pequeno diante do total de acidentes. Das 349.579 Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs) entregues ao INSS em 2017, referentes a acidentes típicos e doenças, desconsiderados os acidentes de trajeto, em 37.057 a causa envolveu quedas com diferença de nível, 10,6% do total. Esse percentual sobe, no entanto, quando contabilizados os acidentes fatais. Das 1.111 mortes causadas pelas atividades laborais, 161 foram causadas por quedas. Isso é 14,49 % do total.

Os locais onde mais ocorrem acidentes por queda são na construção civil, transporte de carga, comércio, hospitais e similares. Os principais agentes causadores desses acidentes são escadas (móveis, fixadas ou permanentes), andaimes e plataformas de edifícios ou estruturas e veículos motorizados (quedas de caçambas de caminhões, por exemplo). Das 161 mortes causadas por queda em 2017, 56 foram de trabalhadores que caíram de andaimes e plataformas e 34 de veículos – juntos, esses registros representaram 55,90% dos óbitos.

 

Os motoristas de caminhão são os profissionais que mais se acidentaram em quedas com diferença de nível em 2017 e lideram o número de mortes. Foram 1.782 acidentes e 16 óbitos. Mas somados os números de acidentes e óbitos causados por quedas, os trabalhadores da construção civil (serventes de obras e pedreiros) ultrapassam os motoristas, com 1.796 acidentes e 24 mortes.

Os acidentes com quedas acontecem, na maioria das vezes, quando as normas de segurança são desrespeitadas e podem causar lesões simples, incapacitações permanentes e temporárias e, muitas vezes, a morte. Dos dez principais problemas decorrentes de quedas, cinco foram fraturas, a maioria nos membros inferiores e superiores do corpo.

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