Irmão Roberto Giovanni, o Santo de Rio Claro

Expectativa é de que até 2020 o Irmão Roberto Giovanni seja transformado em santo pela Congregação das Causas dos Santos, em Roma

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Irmão Roberto Giovanni a caminho da santidade

Em 1885, Paschoal Giovanni e Severina Padula chegavam a Rio Claro, vindos de Civitanova Del Sannio, da Itália. Aqui, casaram-se e dessa união nasceram 13 filhos, Domingos, Antonio, Emilia, Maria, Roberto, Oreste, Yolanda, Rosalina, Silvio, Nair, Luciano, Emilio e Conceição.

Desses, dois se destacaram. Um na vida política, Oreste Armando Giovanni foi vereador e prefeito de Rio Claro, sendo considerado até hoje o prefeito dos pobres.

Roberto Giovanni abraçou a religiosidade.  Irmão Roberto Giovanni nasceu em Rio Claro, em 16 de março de 1903. Com 21 anos, entrou para a congregação dos Padres Estigmatinos. Em 1939, foi transferido para Casa Branca, onde ficou até morrer em 1994.

Ele ficou conhecido pela caridade no bairro do Desterro e por milagres ligados à cura de vícios e doenças.

Irmão Roberto era parte de uma família de 13 irmãos

A dona de casa Dulce Batista conviveu com ele por mais de 40 anos. Ela guarda muitas lembranças do amigo que ensinava s solidariedade. “Ajudava muitos pobres, levava ele para dar a comunhão para os doentes, ele ganhava alguma coisa e na outra casa já dava aquilo que ele ganhou. Muito caridoso”, disse.

Confirmando as palavras de Dona Dulce, José Roberto Sommagio, o Zezo Despachante, estabelecido com seu escritório, bem pertinho de onde Irão Roberto deu seus primeiros passos, ao lado da Igreja Matriz da Santa Cruz e sobrinho neto de Irmão Roberto.

“Meu tio avo, realmente era de uma bondade ímpar. A família ia sempre visitá-lo em Casa Branca e levava roupas de uso diário para ele. Mal a família virava as costas e lá ia Irmão Roberto distribuí-las aos pobres”, comenta Zezo.

E Zezo tem muitas lembranças do tio querido.

“O Tio Roberto vinha sempre nos visitar em Rio Claro e nós gostávamos de sair passear com ele pelas ruas. Gostávamos de carregar uma maleta preta que ele sempre trazia consigo e o seu inseparável guarda chuva. Caminhávamos pelas ruas e ele era parado constantemente e a todos dava atenção, sempre com um sorriso”, conta.

E Zezo conta mais histórias do tio querido: “Nas festas de Natal, 1º de ano e aniversário da vovó Severina, todos iam para a casa dela, para festejar em família. Irmão Roberto gostava muito de fazer orações, só que ele se alongava demais e a criançada sempre reclamava”.

 

Processo de beatificação

Toda essa bondade, toda essa dedicação ao próximo, todo o trabalho de evangelização desenvolvido por Irmão Roberto, levou a população de Casa Branca a pedir à diocese a abertura do processo de santificação.

E no dia 12 de março de 2003, na Paróquia e Santuário Nossa Senhora do Desterro, em Casa Branca, foi entregue ao Bispo Diocesano um abaixo assinado com milhares de assinaturas.

Desde então Irmão Roberto já se tornou Servo de Deus. Em breve será considerado Venerável e estima-se que por volta de 2020 deverá ser beatificado. Depois disso, mais um único milagre e Irmão Roberto poderá se tornar santo, o Santo Rio-clarense.

 

Vida Religiosa

Roberto contava os dias, as horas e os minutos para entrar no seminário. E quando a cidade de Rio Claro celebrava mais uma data de sua emancipação política, ou seja, 21 de junho de 1927, a Igreja também celebrava a Memória Litúrgica de São Luís Gonzaga; no lar dos Giovanni o clima era de tristeza para a família e de alegria para o jovem Roberto, pois era a data de sua partida.

Roberto Giovanni, hoje Servo de Deus, ingressava como Aspirante na Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo, na Escola Apostólica Santa Cruz, em Rio Claro.

Com sua vida de apóstolo, de testemunho cristão e de exemplo comunitário é para os estigmatinos a memória viva e atualizada dos irmãos que foram alavanca de comunidades religiosas.

Fervoroso devoto de São Gaspar Bertoni, fundador da Congregação Estigmatina, foi o maior propagador do carisma bertoniano. Dedicou especial atenção aos órfãos, crianças carentes, idosos, enfermos, pobres, presidiários, fracos e exilados, orando por eles, assistindo-os material e espiritualmente e levando a Sagrada Eucaristia aos acamados, ininterruptamente por anos e anos.

A amabilidade no trato, a simplicidade de expressão e a sensibilidade às dificuldades do próximo, edificavam e causavam admiração de todos, simples e intelectuais, sacerdotes e leigos, confrades e gente do povo de Deus. Jamais pronunciou uma palavra inoportuna. De seus lábios saíam palavras de compaixão, expressões de incentivo e, com muita sabedoria, uma palavra velada de desaprovação frente a um comportamento menos correto de outras pessoas.

Todos que o conheceram, testemunharam o conceito de santidade de que gozava, conceito este jamais desmentido quer por palavras quer por atitudes.

O célebre Pe. Donizetti de Tambaú, cidade vizinha a Casa Branca, dizia aos casa-branquenses que o procuravam: “Vocês vem aqui para receber a bênção e tem em sua cidade o Ir. Roberto que tem bênção mais eficaz do que a minha.”

De compleição franzina e frágil, magro pela austeridade de vida, manteve-se em plena atividade quase até os noventa anos.

Faleceu em Campinas aos 11 de janeiro de 1994, assistido pelos confrades.

O povo pediu o direito de sepultá-lo na cidade que lhe havia conferido o título de cidadão Casa-Branquense. Seu corpo jaz na capela do Santuário do Desterro. Durante o funeral o povo não cansava de repetir: “Morreu nosso santo”.

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