Quando a esmola é demais…

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Por Eduardo Sócrates Bergamaschi

A classe política está tão desacredita nesse país, que mesmo quando tomam decisões favoráveis à população, ou à parte dela, o povo acaba ficando com um pé atrás.
Nessa segunda-feira (19), na página da Prefeitura Municipal de Rio Claro está estampada a notícia que na última sexta-feira (16), o prefeito João Teixeira Junior encaminhou à Câmara Municipal projeto de lei que dispõe sobre o reajuste salarial dos funcionários públicos municipais. A prefeitura de Rio Claro propõe reajuste de 5% nos salários e 26% no vale alimentação que passará de R$ 310,00 para R$ 390,00. Além disso, os novos valores serão antecipados para 1º de fevereiro, dois meses antes da data-base da categoria que é 1º de abril.
Com essa informação em mãos, saí em busca de servidores municipai para saber o que achavam dessa “medida inédita” na administração municipal da cidade.
“Huuumm! Quando a esmola é demais, o santo desconfia”. Esta foi a reação da primeira pessoa com quem conversei e que trabalha na área da educação.
E, por mais incrível que possa parecer, nove entre dez servidores municipais, apesar de acharem interessante a medida, torceram o nariz, desconfiando das intenções da mesma.
Essa reação ao meu ver não é contra o atual prefeito ou a atual equipe que administra o município. É uma reação contra a classe política, totalmente desacreditada.
A população esta acostumada a ser espoliada de seus direitos de saúde digna; de educação digna; de um mínimo de segurança e quando ouve algo que lhe beneficie, vindo da classe política, não acredita.
Se acredita no fato, não acredita na boa intenção dos homens públicos responsáveis pelos fatos.
“Se alguém tira de um departamento um profissional concursado e que há tempos presta serviço na “LICITAÇÃO” e traz alguém de fora para assumir o cargo, alguém que é acusado de dar prejuízo de mais de R$ 90 milhões na cidade de Marília, como podemos acreditar em suas boas intenções”, disse um dos entrevistados que expôs algo que este colunista desconhecia.
Infelizmente, esse é o conceito que o povo hoje faz de um político. A palavra político, hoje, para a população de um modo geral, é sinônimo de corrupção, de más intenções, de cinismo, de hipocrisia.
Vejam, por exemplo, a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, muitos acham necessária, mas apregoam que o governo federal está agindo politicamente, somente para tentar ganhar a simpatia da população. Poucos acreditam que essa intervenção venha a funcionar.
Voltando ao caso de Rio Claro, nós sabemos que a situação financeira e econômica (principalmente) do município não anda lá muito bem das pernas, basta ver a situação de abandono de nossas ruas esburacadas ao extremo, de nossas ruas às escuras. Como é que conseguiram um espaço no orçamento para essa medida que deverá acrescentar uma despesa bastante significativa ao orçamento. Não temos conhecimento que a economia tenha dado um crescimento tão significativo.
Portanto, fica aqui a sensação de que a esmola está realmente demais e o santo que não é bobo nem nada está deveras desconfiado…

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