Somos menos em busca de mais?

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Indicado pela Suécia ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o filme ‘The Square’ talvez tenha excessivas portas de entrada. Pode ser interpretado como uma crítica ao sistema de arte, como um questionamento do sem sentido da criação na contemporaneidade ou ainda como um vazio da publicidade e da ditadura dos ‘likes” em nossa sociedade do espetáculo.
Acima de tudo, porém, está o esvaziamento das relações humanas. Essas questões convivem com espantosa harmonia em torno do protagonista, um administrador de um museu de arte contemporânea que se vê enredado nas mais diversas tramas. A sua frieza e tom blasé é o que mais incomodam.
Parece ser exatamente isso que se espera hoje das pessoas. São elas que, geralmente regidas pela frieza, atingem os postos de comando. Nesse contexto, alguns tópicos do filme saltam aos olhos. Um deles é a cena de abertura, em que o administrador não consegue explicar um texto absurdamente conceitual que foi publicado no site do museu.
Um segundo é um vídeo postado pela instituição que, para promover uma exposição simula a explosão de uma criança. ‘The Square’, nesse contexto, parece estar falando de arte, mas está falando da vida. Parece tratar de curadoria de exposições, mas cuida da falta de cuidado que estamos a ter conosco e com o semelhante. A performance que agride os convidados ou o inconsequente vídeo geram a mesma pergunta: vale tudo para aparecer mais? E, se isso for verdade, não estaremos sendo menos? Alguém liga?
Oscar D’Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.

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