DIA INTERNACIONAL DA SOLIDARIEDADE

Ana Lucia Missaglia Guarnieri
“Segundo o catecismo da Igreja Católica, Jesus é a presença do Reino neste mundo. Para os que “ficam de fora” (Mc 4, 11) tudo permanece enigmático. Jesus exorta os discípulos a buscarem, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua Justiça” (Mt 6, 33). Comunidade em Ação, Revista da paróquia São João Batista, novembro, 2017.
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Instituído pela ONU, para a erradicação da pobreza, o Dia Internacional da Solidariedade Humana é comemorado em 20 de Dezembro (podendo variar conforme o país) tendo sido celebrado, há 16 p.p., na FAO- Roma (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) que tem a escultura do menino sírio, Alan Kurdi, tragicamente morto na praia, vítima do preconceito e perseguição migratória, como mensagem-imagem viva da vítima inocente pelos pecados do mundo.
Na FAO, Papa Francisco discursou a um público seleto para a ocasião, fazendo a seguinte pergunta: “—Seria exagerado introduzir na linguagem da cooperação internacional a categoria do amor conjugada como gratuidade, igualdade de tratamento, solidariedade, cultura do dom da fraternidade e misericórdia?”
O teor da pergunta do Papa Francisco é suficiente para verificar que o mundo morre por falta de Amor, de Beleza, de Bondade, de Verdade , de Justiça, ainda que a proposta (mínima e máxima) do Amor é vir antes da Justiça.
Em Mt. 4, 1-11, Mc. 1, 12,13 e em Lucas 4, 1-13, estão registradas as passagens do Senhor Jesus vencendo o diabo nas 3 tentações do deserto, após 40 dias de jejum, que revelam o seu ‘conteúdo’ como Filho do Altíssimo, o Dono de tudo em Poder e Verdade. (As 3 tentações seguem as armas do mundo: 1)transformar pedras em pães (!) para matar a fome; 2) soltar-se do pináculo do Templo para ser salvo pelos anjos, com citações bíblicas(!) 3)idolatrar o diabo em troca de todos os reinos do mundo, pondo Deus a seu serviço ou do mal).
Vencendo as 3 tentações, Nosso Senhor, mais adiante, em João 10, 30, afirma: “Eu e o Pai SOMOS Um” e, em João 16, 15, Ele comunica aos amigos: “tudo que o Pai tem pertence a Mim. O Espírito receberá do que é meu e o revelará a vós, o sofrimento se tornará em alegria” (com o preço que pagou depois de vencer outras torturas e a Cruz que lhe foram impostas para salvar o mundo).
Domingo (17/12/2017—TV Globo) na Missa celebrada por Pe. Marcelo Rossi e por Dom Fernando Figueiredo, a proposta do Sacerdote (ex-professor de Educação Física e experimentado na Cruz de Cristo) foi a de que este Natal será muito bom e o de 2018, ainda melhor. (Só para os que “ficam de fora” tudo permanece enigmático .Revista da Paróquia São João Batista).
Depois de haver autenticado as lutas do Velho Testamento para restabelecer o Reino de Deus, o Natal de Cristo, que atraiu Pastores e os Reis Magos, deu possibilidade ao ser humano para descobrir que a Terra é um pontinho que faz parte do sistema solar; este, de uma imensa galáxia; esta, de outros bilhões de constelações estelares, em que o Poder divino é infinitamente maior do que o conhecimento humano.
Entretanto, é no conhecimento que se tem agarrado, principalmente nesse tempo, não porque o conhecimento em si liberte do mal, que vem matando a poesia do matrimônio (Cântico dos Cânticos), destroçando famílias – núcleos da sociedade – mas porque o pecado do desamor e da injustiça está desequilibrando a natureza, o pequeno ser humano com direito à felicidade suprema. (Daí a complexidade da pergunta do Papa Francisco, no Dia Internacional da Misericórdia Humana).
Meu Deus! Deus-Menino nasce na Manjedoura, na primeira grande lição da Humildade de que as verdadeiras riquezas estão dentro de nós, e, no mundo brasileiro, a pergunta, para 2018, já é: ‘—por que votar nos novos para Presidência da República se os novos não vão as saber mexer com o Brasil falido, que os corruptos faliram, fazendo um país de escravos”?
Maria SS., Nossa Mãe, no seu Magnificat, já embalou a humanidade na poesia-verdadeira, oferecendo-nos as dádivas do Ungido: “Ele despediu os ricos de mãos vazias”. (Deve ser degradante, neste lindo planeta Terra, que nos deu como morada de passagem, não ter oferecido algo de bom ao semelhante, a nossos irmãos. Não ter orado, com gratidão, a nossos antepassados, que até aqui nos trouxeram, dignamente, ainda que hoje para rever princípios, no amor sem limites do santo moderno, Luiz Orione, acolhedor dos pobres e dos pequenos: “Fazer o bem sempre, o mal, nunca, a ninguém”. E a sua obra que atualmente se espalha por todo o mundo é sinal positivo de que a solidariedade internacional existe).

FOLIA DE REIS E O NATAL

Ao comemorar o Natal que se aproxima novamente, faço um pequeno exercício de memoria para recuperar alguns pontos que me tocavam e ainda me tocam quando assisto apresentação de algum grupo denominado “Folia de Reis”. Isso, porque, a participação popular enraizada na cultura popular favorece esse momento cultural numa comunidade ou numa igreja que possa experimentar a alegria de pessoas que representam com suas músicas, com seus trajes próprios, com suas danças e com suas ladainhas, os belos momentos que significaram e significam o nascimento do menino Jesus na caminhada do povo de Deus e a visita dos Reis Magos a família de Nazaré.
E, numa dessas lembranças, busquei em mim uns momentos que vivenciei da Folia de Reis quando meus pais e meus avôs participavam dum grupo que percorria as ruas do bairro da Cidade onde moravam e ao chegar às casas, os mesmos adentravam e no interior dela, o evento acontecia. Era muito interessante, por que haviam músicos instrumentistas, cantores e muitas vezes se compunham de dançarinos, palhaços e com outros trajes característicos do folclore e das lendas e tradições da Cidade. As canções eram e ainda hoje, sempre religiosas culminam com alguns intervalos para a casa servir a comida ou lanches aos participantes… Essa era a parte mais gostosa que eu curtia. À hora da comida era sempre mais agradável e as crianças faziam a festa após a cantoria dos foliões. Após aquela apresentação numa determinada casa, o grupo partia para outra residência e lá ocorriam as mesmas atividades.
Eu e meus amigos seguíamos na caminhada junto aos foliões e cantávamos também algumas músicas que sabíamos e dentre elas, uma que aprendi e gosto e canto até hoje quando me lembro das histórias vindas da folia de Reis – Reisado: O galo cantou no Oriente ai, ai, ai, ai… Surgiu a estrela da guia ai, ai… Anunciando a humanidade ai, ai, ai, ai.. Que o menino Deus nascia ai, ai, ai, ai… Em uma estrebaria ai, ai, ah… Vinte e cinco de Dezembro ai, ai, ai, ai… Não se dorme no colchão ai, ai… Deus menino teve a cama ai, ai, ai, ai… De folha seca do chão ai, ai, ai, ai… Pra nossa salvação ai, ai, ah… Senhora dona da casa ai, ai, ai, ai… Olha a chuva no telhado ai, ai… Venha ver o Deus Menino ai, ai, ai, ai. Como está todo molhado ai, ai, ai, ai… Os três reis a seu lado, ai, ai ah… Deus lhe pague a bela oferta ai, ai, ai, ai. Que vós deu com alegria, ai, ai.. O Divino Santo Reis ai, ai, ai, ai São José, Santa Maria ai, ai, ai, ai. Há de ser a vossa guia ai, ai, ah…
E, assim a folia e a cantoria iam acontecendo e como agradecimentos iam pedindo à família acolhedora às benções, as proteções do Divino Espírito Santo e as graças do Pai criador. E com essa lembrança eu cresci e hoje quando vou há uma festa popular como os da Folia de Reis ou a Festa do Divino, penso o quanto ainda podemos fazer para que a religiosidade popular enraizada nas figuras populares do presépio que concedem graças a quem acredita, possam nos agraciar no Natal de Jesus com essa bela expressão da cultura popular de envolvimento das pessoas na dinâmica da vida religiosa sem receio de expressar com seu corpo a dança folclórica que envolve a magia do nascimento e vida.
Paulo Roberto Brancatti é professor da Unesp de Presidente Prudente

Natal, Sabedoria e Paz?…

Por Eduardo Sócrates Bergamaschi

Ainda que funcionários públicos em sua boa parte tenham recebido o seu salário, o seu 13º, ainda que Rio Claro, apesar dos pesares conseguiu passar ao largo por essa crise nacional, o clima de festas está sendo vivido sob o signo da crise política, econômica e financeira do nosso país.
Em grande parte dos papos entre pessoas com um mínimo grau de politização, o assunto sempre acaba por desembocar na situação ridícula do impasse político nacional. Administradores que não falam a mesma língua, legislativo que procura de todas as maneiras uma saída contra a Lava Jato e um judiciário em que não se pode confiar plenamente, nos levam a questionar onde está o caminho para sair da crise. Será que 2018 trará melhorias? A julgar pelo estado atual do cenário político, duvidamos que isso possa acontecer.
Bom, seja lá como for, as famílias preparam o Natal e as festas de final de ano. Olhando as ruas, a correria tradicional dessa época se faz presente, com muita gente passeando pelo comércio, principalmente à noite, para as compras de produtos, pelo menos para as ceias. O comércio, que passou por 350 dias de vacas magérrimas espera tirar a barriga da miséria nessas última semanas do ano.
Parentes, filhos distantes estarão chegando para os festejos natalinos, crianças eufóricas a espera de um bom presente que seus tios e suas tias devem trazer. Será?
Enfim, ao passear pelas ruas nessa época do ano, nem parece que durante os último 11 meses e 15 dias tivemos empresário dizendo que “nóis não vai preso”; vimos notícias de milhões e milhões de reais que voaram dos cofres da Petrobras; assistimos centenas de políticos querendo derrubar Sergio Moro e só não conseguindo porque a sociedade está com o juiz paranaense; ex-presidente se livrando de acusações jogando a culpa na mulher, já morta…
Agora só o que interessa é o Espírito Natalino. O Espírito da Paz que o Menino Deus nos desejou, nos soprou. Só o que interessa é o Espírito de Bondade de Maria, mãe de Jesus e nossa, que proclamou o mais importante “Sim” que a humanidade conhece.
Então, aproveitemos esse espírito para pedir ao Aniversariante, que sopre sobre nós novamente, o Seu Espírito e que nos traga sabedoria, para que no próximo ano, esse mesmo Espírito nos ilumine e nos faça escolher melhor os nossos governantes.
No mais, um feliz Natal pra nós, com muita paz e muita sabedoria…