Entre Gravetos e espinhos.

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A Ornitologia é um divisão da Biologia que se destina ao estudo das aves a partir de sua distribuição na superfície do globo, das espécies e características de seu meio, costumes e modo de vida, de sua organização e dos tipos que as abalizam uma das outras.

Considerada rainha dos céus, a águia é símbolo de uma grandes potências mundiais, como os EUA. De cabeça branca, conhecida como bald eagle, em inglês, foi escolhida em junho de 1782 como emblema na recém criada nação por conta de sua longevidade, força e aspecto majestoso. A águia símbolo americano dá a ideia de liberdade.

Já para os alemães, a águia de negro, bicada e formada por um escudo de ouro que segue as cores da bandeira da Alemanha. Para os germanos, a águia era o pássaro do deus Odin. Os romanos reservaram a imagem da águia somente para os mais reverenciados seres, como o Deus supremo e o imperador. E isso servia como metáfora de invencibilidade.

Enigmática em sua beleza e exuberância, majestosa em sua simbologia, rainha dos céus, muito tem a ensinar à espécie humana.

As águias criam seus ninhos, à base de gravetos coletados engenhosamente um a um, em grandes montanhas, até a sua pronta edificação.

Normalmente, as águias depositam de 3 a 4 avos nesses ninhos, e ali ficam chocando-os até a maturação necessária para a procriação.

Quando nascem seus filhotes, sua tarefa de alimentá-los é feita de forma perspicaz, até o fortalecimento de sua prole.

Com a sabedoria que a natureza inexplicavelmente fornece, um dia ela pega um filhote e simplesmente o joga do alto do penhasco, de forma magistral, e em meio à queda esse começa a voar, e consequentemente lhe é triunfada a liberdade de novos horizontes, novos céus, novos desafios.

Muitos filhotes de águias, após o primogênito passar por essa experiência libertária, se escondem em meio aos gravetos, para não voarem, para não se libertarem.

Aí, a mãe águia enche seu ninho de espinhos e não mais traz alimentos, obrigando seus filhotes a tomarem a decisão de alçarem voo por sua própria sobrevivência, e assim eles se lançam do penhasco e aprendem a voar.

Quantos de nós, nos escondemos em meios aos gravetos, numa existência medíocre, sem liberdade, sem horizontes? Nem mesmo os espinhos são capazes de nos remover do imobilismo, da conveniência covarde de experiências grandiosas de uma vida que valha a pena.

O exemplo da águia traz consigo a reflexão de que devemos voar, de que não podemos ficar presos aos gravetos e nem aos espinhos.

Basta sabermos quando queremos voar, quando queremos um dia sermos livres como as águias.

 

Henrique Matthiesen

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