Uma história que demora a ser resgatada

Obra de Museu chega a quase oito anos e público ainda não pode fazer uso do local

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Sobrado da Baronesa, o nome é imponente e referência para Rio Claro, até os dias atuais. A história começou em 1863, quando construído por escravos à taipa de pilão, para servir de moradia ao Barão de Dourados e sua esposa Amalia Carolina de Mello Oliveira. Antes, abrigou por vários anos o Grande Hotel D’Oeste, que contava também com um armazém.
O prédio que destacamos é o Museu Histórico e Pedagógico Amador Bueno da Veiga, que simboliza a fase de investimento cultural dos barões do café. Localizado na Avenida 2 com Rua 7, agrega uma grande representatividade histórica para o município. O imóvel não só se tornou referência por sua arquitetura, mas também por abrigar uma das famílias mais importantes da época. Além de possuir fazendas, José Luiz Borges era dono de fazendas e participou da vida política. Já a esposa era filha de José Estanislau de Oliveira, Visconde do Rio Claro, o primeiro Presidente da Câmara Municipal.
Após a morte do Barão em 1893 a esposa residiu no local com os filhos até final de 1908. Amália faleceu em 1910. A construção serviu ainda para o setor de educação com a inauguração do Colégio Minervino e Escola de Comércio de Rio Claro. Depois a casa foi vendida para o Coronel Joaquim Ribeiro, onde funcionou o Instituto Joaquim Ribeiro.
A propriedade foi tombada como Patrimônio da União em 1963, um século depois de sua construção, para abrigar o então museu que recebeu o nome de Amador Bueno da Veiga, em homenagem ao cabo maior dos paulistas na guerra com os emboabas. Um grande legado para o município, mas que carrega um outro marco, desta vez, negativo. O incêndio ocorrido na madrugada do dia 21 de junho de 2010 e que destruiu todo o imóvel. Antes do ocorrido, o prédio já passava por reformas.


Por trás das novas paredes
Logo após o incêndio de 2010, a restauração foi anunciada e começou no ano seguinte. A primeira data de entrega era para 2013, de lá para cá os prazos foram prorrogados por várias vezes.
Quem passa pelos arredores, já consegue perceber as diferenças, porém oito anos depois do ocorrido os trabalhos ainda não foram finalizados e a população continua sem o acesso a este tipo de cultura.
A obra foi dividida em duas etapas iniciais: a recuperação exterior, que preservou as características históricas do museu, e a parte interior, que teve uma nova construção com características modernas, incluindo um elevador e nova disposição dos cômodos.
A prefeitura informou que a fase atual inclui instalação de caixa d’água. Nas próximas etapas ajardinamento do quintal e instalações elétricas. O teatro de arena foi concluído e deve ser usado para atividades culturais e artísticas, para atrair mais visitantes.
Questionada sobre o novo prazo e sobre o furto de cabos de energia do local no final de 2017, a prefeitura não encaminhou respostas a esses questionamentos.


VALORES
Alguns meses após o incêndio a prefeitura anunciou uma verba de quase R$ 4 milhões para as obras. Os serviços começaram logo em seguida, mas ainda não foram concluídos. Agora a administração municipal recebeu quase R$ 1,5 milhão do Ministério do Turismo para concluir a segunda etapa que não estava prevista no projeto inicial.
Quando a restauração foi anunciada, a prefeitura anunciou também uma verba de quase R$ 4 milhões de reais para os trabalhos. Para a segunda etapa o orçamento foi de R$1.437.459,38. De acordo com o Portal da Transparência do Governo Federal, o valor liberado até o momento desta fase foi de R$1.364.544,31. O último repasse aconteceu em dezembro de 2017 no valor de R$49.578,40. Os valores são repassados de acordo com o avanço da obra.


ACERVO
Na época do incêndio, o museu passava por reforma e não abrigava a maior parte das obras que hoje são preservadas em um casarão, localizado na Rua 1. O acervo conta com mais de 20 mil peças que incluem artefatos indígenas, fotos, documentos, geologia, mineralogia e mobílias que retratam diversos períodos. Em média quatro mil itens são tombados como patrimônio do Governo do Estado de São Paulo.
Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, uma assessoria técnica de museólogos da Secretaria Estadual da Cultura realiza triagem do material, com objetivo de organizar tudo antes do retorno para o museu.

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