Um país doente

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Geraldo J. Costa Jr.

Seria possível iniciar este artigo com a manjada frase interrogativa “Que país é esse?” e creio que, diante do portão de Hades, ao lado do fiel Cerberus, o finado Renato Russo não se sentiria nenhum pouco incomodado ou nos acusaria de plágio.
Bem… Dúvidas à parte, deixemos o país de lado, e iniciemos este artigo com outra célebre frase do autor de “Tempo Perdido”. Ei-la: “…E vimos um mundo doente”. Somos mais modestos. Falaremos sobre o país.
Confesso que, de minha parte, não sei o leitor, está cada vez mais difícil sustentar em meu coração combalido a tórrida esperança de um país, o nosso, como sendo o coração do mundo e a pátria do evangelho.
Um ex-presidente da república está preso, condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro. E há quem considere isso injusto. São aquelas pessoas que veem uma faca onde há um prato.
Que pessoas com pouca instrução, quase nenhuma cultura, sejam capazes disso é até compreensível. Mas que, pessoas que dedicam a sua vida a missão de ensinar, e pessoas capazes de entenderem o que leem (são poucas, cada vez em menor número neste país, mas que ainda existem) se prestem a esse serviço, de negarem a realidade objetiva dos fatos, é de causar espanto.
Tudo piora quando se vê membros da Suprema Corte, o mais alto escalão, de um dos poderes constituídos, o Judiciário, se prestarem ao ridículo de tudo fazerem, sem medir escrúpulos, não para que a justiça prevaleça, mas para libertar da prisão um condenado que ao praticar os seus crimes sórdidos, traiu a confiança da nação brasileira, que nele depositava muitas esperanças.
Mas não é de espantar que as coisas tenham chegado a esse ponto. Durante as últimas cinco décadas, o povo brasileiro foi submetido a uma sutil e constante lavagem cerebral. A narrativa histórica foi imposta, através de alguns poderosos veículos de comunicação, por aqueles que só alcançariam o poder político, com a eleição do Sr. Lula da Silva, como presidente da república, em 2002.
O segmento cultural e artístico e a classe intelectual formada por aqueles que pensam ou ao menos deveriam, em qualquer parte do mundo, no Brasil não é diferente, sempre foi dominado pelos socialistas.
Livros, telenovelas, filmes, peças teatrais, músicas, artigos sobre filosofia, história e psicologia foram exaustivamente publicados e disseminados através dos tais poderosos veículos de comunicação, sempre com viés político socialista, enaltecendo as pretensas conquistas e inúmeras possiblidades de avanços desse sistema político.
Tais ideias estúpidas foram penetrando silenciosamente, como sendo absolutamente normal, possível e necessária, na mente e nos corações da maioria dos brasileiros, desprovida de senso crítico e dotada de incapacidade de discernimento. Mas o estrago maior se daria nas escolas em nível primário e secundário e, sobretudo, universitário.
A ascensão ao poder político, por parte dos socialistas, no Brasil, revelaria em pouco tempo, qual na verdade era a sua meta: roubar. Roubar o dinheiro do povo, para criar uma estrutura que lhes permitissem se perpetuarem no poder.
A condenação e prisão do chefe máximo da quadrilha que assaltou os cofres públicos do país, só da Petrobras foram roubados mais de 40 bilhões de dólares, deveria ser o golpe de misericórdia nas pretensões dessa gente. Mas não será. O discurso tolo e mentiroso, mas convincente do qual se utilizam, ainda comove e ilude parcela significativa da população brasileira, que se recusa a enxergar o óbvio.
Livrar o Brasil da doença maligna da corrupção é tarefa ainda não terminada. É preciso ir mais fundo, é preciso atingir os outros partidos políticos, além do PT, sócios nesse esquema nojento, sórdido e inescrupuloso que destrói o futuro deste país, que condena à desesperança e à falta de melhores oportunidades as suas gerações futuras.
Se avançarem as investigações da operação Lava Jato, como é de se esperar que aconteça, certamente atingirá esses associados, cúmplices, comparsas da quadrilha que tem assaltado os cofres públicos do Brasil.
E justamente em razão disso, o panorama eleitoral adiante, torna-se confuso e nebuloso, e, portanto, imprevisível. E tudo isso porque, em termos de moralidade, de decência, de dignidade, da parte, sobretudo daqueles que nos representam, ainda somos, um país doente, vítima do vírus letal da corrupção.

O colaborador é escritor, autor de “A Tarde Demora a Passar” (editora Lexia 2012), O Intermediário (editora Lexia 2014), Sob o Manto da Noite (editora Multifoco 2015), e do conto “Reprise”, publicado na antologia “Ensaios”, editora IDE, 2017. E-mail: jcostajr2009@gmail.com

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