Ex-presidente da Coreia do Sul é condenada a 24 anos de prisão

Então Presidente da República, Dilma Rousseff recebe Park Geun-hye, no Palácio do Planalto (Antonio Cruz/Agência Brasil)

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Presidenta Dilma Rousseff, recebe a presidente da Coreia, Park Geun-hye, no Palácio do Planalto (Antonio Cruz/Agência Brasil)

A ex-presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, foi condenada na sexta-feira (6) por um tribunal de Seul a 24 anos de prisão pelo seu envolvimento no caso de corrupção da “Rasputina”, que culminou com sua cassação em janeiro de 2017. A sentença, que foi transmitida ao vivo pela TV, considera comprovada que a ex-presidente conservadora e sua amiga Choi Soon-sil, conhecida como a “Rasputina”, criaram um esquema para extorquir dinheiro de grandes empresas, como Samsung, Hyundai e Lotte. Park, de 66 anos, foi considerada culpada por 16 das 18 acusações de abuso de poder, suborno e coerção e ainda foi multada em US$ 17 milhões. A defesa de Park deve apelar da sentença.
Park não ouviu do tribunal a leitura da sentença. A ex-presidente e seus advogados se recusaram a participar depois que a corte decidiu que a transmissão seria ao vivo – foi a primeira vez que isso aconteceu após uma lei aprovada no ano passado permitindo esse tipo de divulgação. A queda em desgraça da ex-presidente começou em meados de 2016, quando foi revelado que sua melhor amiga, Choi Soon-sil, que nunca ocupou nenhum cargo oficial, aproveitou sua influência para obter milhões de dólares de grandes empresas sul-coreanas. O escândalo levou a Assembleia Nacional a destituir a presidente em dezembro, o que acabou com a imunidade de Park e abriu caminho para uma investigação.
Park, de 66 anos, estava presa preventivamente desde março de 2017 e foi a primeira chefe de Estado sul-coreana cassada na democracia. A saída dela levou a uma antecipação nas eleições, vencidas em maio do ano passado pelo liberal Moon-Jae-in. Além disso, o tribunal presidido pelo juiz Kim Se-yoon condenou a ex-governante ao pagamento de uma multa de 18 bilhões de wons (US$ 16,8 milhões). A promotoria tinha pedido para ela 30 anos de prisão e multa de 118,5 bilhões de wons (US$ 95 milhões). Depois que o Tribunal Constitucional confirmou em 10 de março o impeachment, a Procuradoria interrogou a ex-presidente e solicitou sua prisão, porque considerava Park uma cúmplice de Choi. A ex-presidente nega todas as acusações e afirma que Choi traiu sua confiança.
Park é o terceiro ex-chefe de Estado da Coreia do Sul detido por um caso de corrupção. Chun Doo-Hwan e Roh Tae-Woo cumpriram penas de prisão nos anos 1990 por motivos similares. O ex-presidente Roh Moo-Hyun, eleito democraticamente, cometeu suicídio em 2009, quando ele e a família eram investigados por corrupção.

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