MAIS INFINDA QUE O INFINITO

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Carlos Brickmann

Nelson Marchezan Jr., PSDB, prefeito de Porto Alegre, sem consultar o governador gaúcho Ivo Sartori, MDB, pediu ao Governo federal que mande o Exército e a Força Nacional para manter a ordem na cidade, no dia 24, quando o apelo de Lula contra a sentença que o condenou a 9,5 anos de prisão será julgado pelo Tribunal Regional Federal. Conforme a decisão, o ex-presidente pode ficar inelegível pela Lei da Ficha Limpa e ser até preso.
A situação de Lula deixou o PT ultra-inquieto: o partido programou até a ocupação de Porto Alegre, líderes como José Dirceu pregam algo muito parecido com insurreição e guerra civil. Bobagem: se alguém ultrapassar os limites pode ser preso. E o PT tem um problema sério: sem o poder, com a Lava Jato, sem imposto sindical, como pagar os voluntários, transportá-los e alimentá-los? O partido se arrisca a um fiasco como o da última caravana.
Aí entra Nelson Marchezan Jr., ultrapassando os limites de ser prefeito e dando à manifestação petista, que não era muito diferente de demonstração de intenções, o caráter de coisa séria. Considera-se ameaçado, o prefeito! E pede gente fardada para protegê-lo das hordas vermelhas, que imagina que existam e que queiram ocupar sua cidade. Marchezan virou a esperança dos petistas radicais, ao dar-lhes crédito e visibilidade, como se força tivessem.
Frase de Einstein: “Duas coisas são infinitas, o Universo e a estupidez humana. Mas, com relação ao Universo, ainda não tenho certeza absoluta”.
…ói ele aí tra veiz
José Rainha, que foi líder do MST, perdeu o posto para Stedile e estava silencioso, foi convocado para ajudar a ocupar Porto Alegre (afinal de contas, é um a mais). Rainha diz que este será um “janeiro quente” e que todos devem se mobilizar em defesa de Lula. Há pouco mais de dois anos, Rainha foi condenado a 31 anos de prisão, mas não foi preso até agora.
Dois destinos
Lula em Porto Alegre, tentando reverter a condenação que sofreu em Curitiba, com risco de ser preso ou declarado inelegível; Temer, na mesma data, 24 de janeiro, a caminho de Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, levando os ótimos resultados que a economia brasileira vem apresentando. Com ele, os dois principais executivos da área econômica: o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. São bons resultados; e, se houver medidas de apoio – por exemplo, a volta do grau de investimento, perdido por Dilma – Temer pode até sonhar em ganhar popularidade e ser candidato à reeleição.
Desafio maior
A tropa de choque oposicionista nas redes sociais (e jornais) tem um problema sério para negar que os dados econômicos tenham melhorado. É que Meirelles foi repetidamente indicado por Lula a Dilma para ocupar o Ministério da Fazenda; e Dilma seguidamente o rejeitou. Lula tinha razão.
Martelo…
Ao mesmo tempo em que escolheu gente do ramo para tocar a economia e deixa seu pessoal trabalhar, Temer continua devastando a administração com apetite de gafanhoto faminto. A escolha de Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, para o Ministério do Trabalho, é um exemplo notável: Cristiane é citada na delação da JBS (por estar entre os negociantes de um pixuleco de R$ 20 milhões para o seu PTB, em troca do apoio do partido à candidatura de Aécio Neves, do PSDB, em 2014). É apontada na delação da Odebrecht como receptora de uma bonita mochila com R$ 200 mil. Há mais: dois funcionários a processaram na Justiça do Trabalho pedindo indenização por horas extras não-remuneradas. Ambos ganharam.
…na ferradura
Por falar em “ambos”, Moreira Franco e Eliseu Padilha, ambos ministros, estão ambos na mira da Lava Jato – ai de ambos se perderem o cargo e o foro privilegiado! Temer tem encontro com a Justiça de primeiro grau assim que deixar o mandato (por isso é importante para ele poder tentar a reeleição). Solitário num escândalo antigo, o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, era chamado por Carlinhos Cachoeira de “menino de ouro”. Cachoeira não é de distribuir elogios a quem não os mereça.
Tesouro detonado
Foi bonita a festa, pá, como disse Chico Buarque sobre outro assunto. O Rio teve fogos durante 17 minutos seguidos, um recorde. Mas a conta veio logo: os dois principais hospitais universitários do Rio ficaram ser verbas e ameaçam suspender a contratação de residentes – o que é pior do que parece, por prejudicar o atendimento dos pacientes e o treinamento dos médicos. As escolas de samba, habituadas a fartos cofres, ajustam em cima da hora seus desfiles, para que não lhes falte dinheiro no Sambódromo. Que ninguém diga que este é um problema do Rio: o Carnaval carioca é o grande símbolo do turismo brasileiro, e o Rio é o cartão de visitas do país.
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