Jesus, nós e as leis…

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Por Eduardo Sócrates Bergamaschi

É muito comum nos dias de hoje protestarmos contra as leis, principalmente aquelas que oprimem os menos favorecidos. Sabemos que não há “justiça” em algumas leis.
Mas isso, não é privilégio dos dias de hoje. No tempo de Jesus isso era também visível e o Mestre se contrapôs há muitas delas.
Como por exemplo a Lei do Puro e Impuro. Em seu tempo, Jesus escandalizou os Fariseus ao tocar os leprosos, ao tocar no cadáver do filho da viúva de Naim e o ressuscitar. Seus discípulos escandalizavam os Fariseus, porque comiam e bebiam sem lavar as mãos. Tudo isto que Jesus e seus discípulos faziam, tornava impuras as pessoas, na visão das leis farisaicas.
Jesus com sua bondade infinita viu que essas leis do Puro e Impuro eram uma carga muito pesada para o povo. Eram leis de tudo quanto era jeito, o que devia comer, vestir, a distância que podia caminhar no Sábado ou o que poderia fazer, etc. Existiam nada menos do que 600 mandamentos.
Hoje, 2017. Em breve não poderemos mais nos aposentarmos quando nos sentirmos cansado de tanto trabalhar, pois o governo (fariseus) não mais permitirá (não vamos discutir tecnicamente a validade dessas medidas). Não nos permitem utilizarmos o dinheiro público para o bem da população, dinheiro esse que é da população, porque alguns fariseus nos roubam na cara dura e são libertos porque são ricos.
E tudo isso, também para nós, nos dias de hoje, tornou-se um peso insuportável, mas nada podemos fazer contra elas, pois nos tornaremos impuros e seremos isolados em uma cadeia qualquer sem que ninguém possa nos tocar.
Antigamente os pobres impuros podiam ir ao Templo de Jerusalém nas Peregrinações e ali oferecer um sacrifício, uma esmola, para tornarem-se novamente puros.
Hoje, em 2017, também existem inúmeros templos que oferecem a salvação por um precinho bem módico.
A Lei do puro e do impuro, como as leis opressoras atuais tornaram-se uma opressão insuportável. Cristo percebeu isto, e fazia observações a todo este ritualismo: “o que, de fato, suja o homem não é o que vem de fora, mas o que vem do interior do homem mesmo” (Mt 15,10-20). Exatamente como hoje, enquanto ouvimos de algum fariseu a frase “nóis não vai preso”, muitos pobres morrem nas filas de hospitais públicos que não funcionam dignamente por falta de dinheiro, que estão nas mãos daqueles “fariseus”.
Jesus lutou contra tudo aquilo! E nós? O que fazemos, ou melhor, o que podemos fazer para que essa situação melhore?
Primeiro temos que votar com consciência, com sabedoria. Depois temos que acompanhar os eleitos em seus mandatos cobrando-lhes trabalho digno da confiança que o povo lhes depositou.
Natal é época de renascimento. Vamos renascer com um Brasil novo. Um Brasil de brasileiros, expulsemos os fariseus de nossas vidas, de nossos templos.
Vamos viver um pouco do cristianismo para termos futuramente Natais dignos do aniversariante.
Feliz Natal a todos…

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