Emocione-se ao ver a passagem da estação internacional no céu nas duas próximas madrugadas

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Livio Oricchio, de São Paulo

Se você ainda não viu, vale muito a pena acordar mais cedo, na próxima madrugada, deste domingo para amanhã, por volta das 4h53, para ver a passagem da Estação Espacial Internacional nos céus desta região do Estado de São Paulo. E se por acaso não for possível, você tem ainda outra chance de segunda para terça-feira, às 3h53.
Não pense, por favor, que você poderá ficar observando-a passar lentamente, por horas. Não, é tudo relativamente rápido, cerca de 4 minutos, apenas. A imagem que você verá é semelhante a que você veria se uma estrela brilhante cruzasse a abóbada celeste. Soube de gente que pensou tratar-se de um disco voador. Não é, fique tranquilo.
Esqueci de falar: não precisa telescópio ou binóculo. A Estação Espacial Internacional, com seus cerca de 100 metros de extensão por 50 de largura, equivalente a um campo de futebol, pode ser vista a olho nu. E, como mencionei, o “sacrifício” de acordar apenas para acompanhar sua passagem no céu é amplamente recompensado.
Imagine, por exemplo, que a estação está a 360 quilômetros de altura e se deslocando a nada menos de algo como 8 quilômetros por segundo, ou 27 mil quilômetros por hora. É a velocidade que um corpo precisa para se manter na órbita da Terra sem cair.
Dentro da estação há seis tripulantes nos seus 14 módulos realizando uma vasta gama de experiências de elevado valor científico. O projeto internacional envolve as principais agências espaciais existentes: Nasa, norte-americana, Roskosmos, russa, ESA, europeia, CSA, canadense, e Jaxa, japonesa.
Você sabia, por exemplo, que ao viajar a 27 mil quilômetros por hora, a estação completa uma volta ao redor do nosso planeta em uma hora e meia, já que sua circunferência é de 40 mil quilômetros. Isso, mesmo, os cientistas astronautas da estação veem o sol nascer e se pôr a cada uma hora e meia, ou 15 vezes por dia terrestre.
Já imaginou como seus organismos reagem, em especial o cérebro? De repente ele recebeu a informação de que o dia está raiando, mas menos de uma hora e meia depois os olhos enviam ao cérebro a informação de que está anoitecendo. E isso 15 vezes durante o período de 24 horas do dia terrestre.
O cérebro deve rir a cada uma hora e meia e dizer aos seus astronautas: “Tá querendo me enganar, é?” O estresse físico é grande. Mas possível de ser superado, como atestam os espaços de tempo grandes em que os astronautas se mantêm na estação, como o recordista russo Guennadi Padalka, que permaneceu nada menos de 803 dias entre 2013 e 2015, ou mais de dois anos.
É preciso, no entanto, pelo menos duas horas de atividade física puxada para manter o corpo em condições de suportar a microgravidade do ambiente. Músculos e ossos perdem massa. A permanência de astronautas na estação por longos períodos servem de laboratório para estudar como enfrentar os efeitos seriamente nocivos da ausência de gravidade nas viagens espaciais.
Deu para ver que, na realidade, a estação passa sobre nossas cabeças várias vezes por dia, mas só podemos vê-la quando as condições permitem, preferencialmente pouco antes do pôr do sol ou do amanhecer.
Você nem precisa dominar a língua inglesa para saber, com precisão, por onde a estação passa. Recomendo acessar este site da Nasa, bastante intuitivo: https://spotthestation.nasa.gov/
Se você passar a se interessar de fato pelo tema, há no site um campo denominado “sign up for alerts now” e cadastral o seu e-mail. Assim, cada vez que a estação vai passar na sua região, ou próxima, você será informado.
Por experiência própria, dá para afirmar: uma coisa é ver uma foto, um vídeo da estação em órbita. Outra, bem diferente, e em essência, emocionante, é vê-la ao vivo, tendo em mente haver seis cidadãos como nós lá dentro, em uma condição absolutamente única e, claro, fascinante. Tente. Recomendo.
liviooricchio@gmail.com

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