Darcy Ribeiro – Compreendendo o Brasil: Classe cor e preconceito

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É indissociável a correlação de classe e poder; consensual, porém, entre as diversas linhas de pensamento que amplos grupos em que a exploração econômica, opressão política e dominação cultural resultem no binômio de exploradores x explorados.
Esta relação criou, segundo Karl Max, a luta de classe que consiste na oposição entre as diferentes classes, que não se ressumem somente entre a economia e a política, mas sim na sociedade como um todo.
Darcy Ribeiro em seu livro, “O povo brasileiro”, pondera que:“Nossa tipologia das classes sociais vê na cúpula dois corpos conflitantes, mas mutuamente complementares. O patronato de empresários, cujo poder vem da riqueza através da exploração econômica, e o patriciado, cujo mando decorre do desempenho de cargos, tal como o general, o deputado, o bispo, o líder sindical e tantíssimos outros. Naturalmente que cada patrício enriquecido quer ser patrão e cada patrão aspira às glorias de um mandato que lhe dê, além de riqueza, o poder de determinar o destino alheio.”
No contexto brasileiro, adiciona-se ainda, entre a relação de classe e poder, a questão do preconceito e da herança escravagista na análise depreciativa da dominação cultural que forma nossa sociedade. A questão étnica gerou doisindissolúveis preconceitos: a-) o da classe social, e b-) aquele que pesa sobre os negros, mulatos e índios.
Em nossa estratificação social, verificamos quatro níveis da relação classe, cor e preconceito:
a-) O topo da pirâmide social está ocupado pelas classes dominantes, compostas da figura do patronato, que são os proprietários das empresas, o dono do capital; alinhados à oligarquia onde está concentrado o sistema político, o coronelismo hereditário. Adiciona-se ainda o senhorial parasitário,que sobrevive do labor alheio, somado ao empresário contratista, o militar, o tecnocrata, as eminências, e as celebridades. Esse conjunto todo forma, o que conhecemos popularmente, como elite.
b-) Na classe média temos: os autônomos, os profissionais liberais, os pequenos empresários, os comerciantes; classe despossuída dos meios de produção, que não “vende” a sua força de trabalho, que detém apenas os bens móveis e imóveis e se acomoda nas burocracias estatais e privadas. A classe média não é determinada pelo seu grau de consumo ou por sua escolaridade, mas pelo modo que ela se insere na sociedade. Neoliberal por ideologia, acredita na concepção de que o gênero humano é um capital de acúmulo econômico e não aceita ser classificada como classe trabalhadora.
c-) Já as classes subalternas que compõem a pirâmide social são os assalariados rurais, minifundintas, como também o operariado fabril e de serviços.
Esta classe integra a vida social e explorada forma uma massa consumidora de produtos de subsistência e são mão de obra crucial para o sistema produtivo.
d-) A quarta classe e última classe, no último bloco inferior da pirâmide, temos os marginalizados, os mendigos, as prostitutas, os delinquentes, os subempregados que são aqueles completamente excluídos da vida social, e lutam para ingressar socialmente no mercado.Para esses só resta o romper as estruturas de classe. Ontem escravos, hoje subassalariados. Causadores do pavor e da repulsa das classes superiores.

Henrique Matthiesen

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