Escravidão sem cor…

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Por Eduardo Sócrates Bergamaschi

Feriadão prolongado, tive oportunidade de descansar e a felicidade de ler um livro onde aprendi muito sobre o racismo, sobre a escravidão. Isso porque, quando estamos descansando com a mente livre e solta, sem as “aporrinhações” do dia a dia, podemos ler e, principalmente refletir sobre aquilo que estamos lendo.
E esse livro, cujo autor é José de Oliveira Soares Filho, mais conhecido como Máqui, tem o nome de Histórias & Mistérios: O Caso Velasco.
A princípio você o encara como um livro de aventura, mas com o folhear das páginas percebemos que tem muito mais do que aventura em seu conteúdo.
Aprendi no livro, por exemplo, “que o preconceito racial tem muitas formas. Algumas formas são claras e geram o confronto direto, a guerra, a perseguição, a escravidão. Mas há formas mais sutis, que se misturam ao cotidiano e são inimigos invisíveis muito mais difíceis de combater. E todas, absolutamente todas essas formas de preconceito racial, sutis ou não, são destrutivas e injustas.”
Descobri também que quando há uma menção sobre escravidão nos vem à nossa mente a escravidão no Brasil e quase sempre a história nos remete aos negros trazidos da África. Nos esquecemos que índios foram escravizados; que imigrantes europeus, principalmente italianos foram escravizados de certa forma.
Quase nunca nos damos conta de que hoje a escravidão se dá pela opressão da miséria, da ignorância, sendo que hoje os grandes senhores de escravos são políticos sem caráter, que oprimem o povo para se manterem no poder, sem dó daqueles que não suportam tamanha opressão e morrem, principalmente nas filas de hospitais.
E nessa escravidão não vemos só SERES DA RAÇA HUMANA com a cor de pele negra. Temos também peles brancas, mulatas, amarelas, vermelhas.
Descobri ou acordei também para aquilo que nos omitiram na história da escravidão. Não nos disseram que foram MILHÕES, os negros escravizados; que as chicotadas que recebiam podiam chegar a 300; também não nos disseram que O Brasil, última nação a abolir a escravatura, assinou a lei porque o país estava sendo pressionado pela Inglaterra, muito interessada em vender suas máquinas. Também não me lembro de ter recebido a informação que o negro liberto passou a ser um fantasma, pois não era respeitado, não tinha emprego, dinheiro, oportunidade; nunca aprendi que piadas sobre negro não são engraçadas.
Nunca nos ensinaram que somos da RAÇA HUMANA e biologicamente todos iguais; que RAÇA é uma palavra inventada pelos cientistas para definir um conceito que eles próprios não sabem direito o que significa.
Ninguém nos perguntou como foi possível esse pais ser construído por gente que não tinha o que vestir, o que comer e era obrigada a trabalhar 18 horas por dia sob a ameaça de chicote e torturas.
Preconceito, antes de mais nada é você se sentir superior a outro ser por ele ter cor de pele diferente da sua; posição social diferente da sua; posição financeira melhor que a sua.
Me enriqueci bastante nesse feriado prolongado. Hoje posso dizer que agora sei como lutar contra os meus preconceitos, principalmente por que hoje consigo refletir sobre a história como ela foi e não como me contaram.
Consegui ter mais certeza ainda que não será o sistema de cotas por cor de pele que resolverá o problema da educação no Brasil, muito pelo contrário. Para mim o sistema de cotas por cor de pele é um PRECONCEITO contra a classe POBRE de pele branca, amarela, negra, mulata, vermelha. Isso porque o pobre não tem acesso à escola…

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