A ENTREVISTA PERDIDA COM O PROF. ZOTTARELLI

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Por Geraldo J. Costa Jr.
30/10/2017
Em meados de 2008, eu participava da equipe de redatores do jornal O Beta, mensário com circulação em Rio Claro, com enfoque na cultura. Havíamos entrevistado o cronista Jaime Leitão, o cineasta João Paulo Miranda Maria, o ativista político e cultural Luis Carlos “Curinga” Rezende e o historiador Paulo Rodrigues, entre outros.
Então, um de nós teve a ideia de pedir uma entrevista para o professor Aldo Zottarelli Jr., fundador e então proprietário da Rádio Excelsior Jovem Pan. Durante duas horas, ele nos recebeu com toda paciência e simpatia em seu escritório nas ótimas instalações ocupadas pela emissora no edifício São Lucas, na rua 6.
Respondeu a todas as perguntas, minhas, do Favari, do Lourenço e do Anselmo. Falou sobre o seu romance Névoa, no qual estava trabalhando e sobre seu livro de crônicas “Não é mesmo?”, à época, recém lançado e cujo exemplar autografado tenho guardado até hoje, está lá: “Ao amigo Costa, com admiração”, assinado e datado, 27/3/2008. Contou toda sua trajetória como educador e empreendedor.
Revelou que a TV Rio Claro, hoje TV Claret, que ele também fundou e conduziu durante anos, talvez tenha sido a primeira emissora a ir ao ar sem possuir uma câmera. Falou-nos um pouco sobre bastidores da política que conhecia muito bem, de sua amizade com o ex-governador Mário Covas, deu opiniões sobre assuntos do momento.
Quando lhe perguntei sobre quem era na opinião dele, a maior revelação do rádio em Rio Claro, naqueles dias, ele respondeu sem titubear que era Ivo Rosalem Neto (inexplicavelmente o único daquela promissora geração de jovens jornalistas, hoje fora do jornalismo radiofônico).
Falou com emoção e entusiasmo sobre o sucesso do seu filho Maurício, exímio baterista de renome internacional. Contou-nos sobre suas idas aos Estados Unidos, que lhe renderam alguns contos para o livro mencionado.
Enfim, o professor Zottarelli desnudou-se, no melhor sentido da palavra. Sentiu-se à vontade. Falou sobre intimidades, literatura, serviu-nos café, duas vezes. Foi uma conversa bastante agradável e interessante que, todavia, jamais foi para as páginas de O Beta, porque uma falha técnica, no gravador, impediu que preparássemos melhor a entrevista juntando as respostas do professor com nossas anotações, que, por sinal, eram poucas, uma vez que o conhecimento e a cultura do professor Zottarelli absorveu-nos completamente, e o que era para ser uma entrevista, acabou se tornando um ótimo bate-papo.
Pedimos-lhes desculpas, ele se colocou à disposição para nova entrevista, o que jamais ocorreu. O jornal O Beta deixou de circular, cada um de nós foi cuidar da vida, e o resto é lembrança. Boa lembrança, como daquelas duas horas em que fomos tão bem recebidos pelo professor Aldo Zotarelli Jr.
Por duas vezes, Zottarelli recebeu o troféu “Melhor do Ano”, na área da educação, oferecido pelo Jornal Diário do Claro. Era licenciado em Educação Física, pela Escola Superior de São Carlos, bacharel em Direito, pela Faculdade de Bauru, e na PUC de São Paulo, especializou-se em Direito Administrativo.
Desde jovem, escrevia artigos e crônicas para os jornais locais e de Limeira, Santos e São Paulo, além de comentarista e produtor de jornalismo da Rádio Clube de Rio Claro. Educador, músico e cronista, agora nos deixa, aos 78 anos, após ter inserido o seu nome de maneira ímpar e definitiva na educação, na literatura e na imprensa rioclarense.
O colaborador é escritor
jcostajr2009@gmail.com

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