VITÓRIA DO PRESIDENETE TEMER NA CÂMARA

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Por Alessio Canonice – alessio.canonice@bol.com.br

A Vitória do presidente Michel Temer na Câmara Federal já era esperada por milhões de brasileiros, porém, a imprensa norte-americana, ao analisar este feito, foi muito clara e objetiva ao afirmar que esta vitória abre espaço ao caminho da impunidade, quando deveria ser ao contrário: fazer com que medidas punitivas entrem em ação, visando combater o hábito da política que se instalou no Brasil.
A vitória do peemedebista se consolidou, é verdade, porém, foi mais apertada do que na primeira denúncia na Câmara, onde aconteceram 263 votos favoráveis a Temer e 227 contrários.
A segunda denúncia contra o presidente pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) acusa Michel Temer de obstrução da Justiça. Com a decisão da Câmara, a denúncia fica suspensa até que o presidente conclua seu mandato.
Embora favorável ao presidente, o resultado indica que Temer terá dificuldades em reunir apoio necessário de 308 deputados para aprovar sua ambiciosa proposta de reforma da previdência, uma novela que se estende há vários meses sem previsão de que venha a se tornar realidade.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que tem assumido uma postura imparcial com Temer, voltou a manifestar, apesar dos pesares, total compromisso com a aprovação das mudanças na previdência, mas apresentou certo desgaste na relação entre governo e Câmara, após as duas denúncias, dizendo que o presidente saberá qual o melhor caminho para estabelecer sua relação com os deputados, afirmou Rodrigo Maia.
Para o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, que deixou temporariamente o cargo para votar como deputado, o governo perdeu, de fato, 6 votos que foi o número de deputados a mais que foi favorável ao andamento da denúncia e os outros que deixaram de votar com o governo. Dessa vez optaram por ausentar.
Vencida a denúncia, essa será a nova prioridade do Palácio do Planalto que argumentou que as mudanças nas regras de aposentadoria são imprescindíveis para reverter o rombo das contas públicas.
No cenário ideal do governo, a reforma poderá ser aprovada em novembro na Câmara dos Deputados e até março no Senado, onde há a necessidade do apoio de 49 dos 81 senadores.
Os políticos da base admitem que a reforma só será aprovada se o governo ceder em pontos polêmicos, como a criação de uma idade mínima para aposentadoria, que deseja fixar em 65 anos para homens e mulheres.
O líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PA), argumentou que o resultado da noite do dia 25 do corrente não serve de parâmetro para a votação da reforma, já que alguns parlamentares favoráveis às mudanças na previdência ficaram contra Temer na votação da denúncia. Foi o caso de parte da bancada tucana.
As semanas anteriores à votação foram efetuadas com intenso contato com Temer com deputados da base, que foram agraciados com a liberação de verba para obras, por meio de emendas parlamentares. Quase um bilhão em setembro e outubro, além de uma série de nomeações para cargos do segundo escalão.
Somos minoria na casa, mas somos maioria na sociedade. Mais de 90% do povo brasileiro quer Temer fora do governo. Essa casa, por meio de manobras de corrupção de compra de votos, é a única instância em que esse governo tem maioria, discursou Luiza Erundina (PSOL-SP). Resta saber quais são os parlamentares que estão certos: deputados que votaram sim ao arquivamento da denúncia ou aqueles que votaram não.

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