“A DEUS O QUE É DE DEUS”

236

Ana Lucia Missaglia Guarnieri
“E Jesus disse: “De quem é a figura e a inscrição desta moeda?” Eles responderam: “De César”. Jesus então lhes disse: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. (Mateus, 22, 15-21) Leitura do Evangelho, Domingo, 22/10/2017.
**************************************
“Muitos julgam que basta crer na moral do Cristo para ser cristão. Não é a moral do Cristo, não é o ensinamento do Cristo que salvarão o mundo, mas a fé no fato de que o Verbo se fez carne. Esta fé não é apenas o reconhecimento da superioridade da sua mensagem, mas um impulso direto. É preciso crer, de maneira precisa, que o Verbo encarnado – Deus encarnado – é o ideal definitivo do homem. (…) A moral decorre da fé. A necessidade de adorar é uma propriedade essencial à natureza humana… Para que haja adoração é preciso que haja Deus. O ateísmo é oriundo precisamente dessa idéia de que adoração não é uma propriedade natural da natureza humana e espera o renascimento do homem, abandonado unicamente a si mesmo. Esforça-se por mostrar que o homem será moralmente consciente quando se libertar da fé, mas, até hoje, os ateus não mostraram nada. Julga-se a árvore por seus frutos. Ao contrário, mostraram apenas uma monstruosidade. A moral, entregue a si mesma ou à ciência, pode desnaturar-se até à abominação extrema”. Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (Moscou 1821-São Petesburgo, 1881) escritor, filósofo e jornalista russo, considerado como um dos maiores romancistas e pensadores da História , um dos maiores psicólogos que existiram até hoje.
O citado escritor já nos revela a proposta eterna do Cristo: Dar a César (que representa o mundo) o que é de César e dar A DEUS O QUE É DE DEUS.
Notemos que o Filho do Deus Vivo, o Senhor Jesus, usa o verbo DAR= a prática de AMAR.
Dar e Perdoar estão muito próximos do Evangelho Eterno, como Cristo devolveu o paraíso ao ladrão que, diante DELE, reconheceu suas faltas.
Dar a Deus o que é de Deus é não desperdiçar nenhum minuto as maravilhas do Seu Reino, que estão no meio de nós, esperando por nossa cooperação em promovê-las, pois estão dentro de cada um de nós. Em meio ao ateísmo, à crise, que apontam a involução do pensamento e suas desastrosas consequências, o povo de Deus sai em busca da solução, pela fé, pois é a Vida Eterna e o nosso renascimento, que estão em jogo. O legado às nossas crianças requer nossa participação na construção divina, para que tenham o bom exemplo dos que sabem ver “que nada há de oculto que não venha a ser descoberto”. Como a luz nos tem desvendado, hoje, sobejamente, a todos, ladrões que não se arrependem, terroristas que não se tocam, fariseus que não se convencem da Verdade, de que amanhã lhes será pedida de volta a vida. E “coisa terrível é cair nas mãos do Deus Vivo”(São Paulo, Heb. 10, 31).
Como nos escreveu C. G.Jung, “tendo chegado à certeza de que a vida e o mundo são regidos – para quem sabe ver – por uma inteligência e uma sabedoria, aceitaremos entregar-nos a ele alegremente como o banhista que mergulha num rio e se se abandona com confiança – sem deixar de estar atento – às ondas poderosas que o levam”.
E como no último Domingo celebrou-se o Dia Mundial das Missões, o Bispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes afirmou que, dentre os 7 bilhões de habitantes, 2 bilhões são cristãos, faltando 5 bilhões aos quais o Evangelho deve ser levado, como profecia: “Até os confins da Terra”, acrescentando que a Missão divina começou com a visita de Maria à prima Isabel, o mesmo acontecendo a cada casal em que um salva o outro pela fé; a cada padrinho, que não fica só na foto e assume o compromisso no batismo da criança; assim por diante..
Dar a Deus o que é de Deus é restituir a Joaquim Osório Duque Estrada e a Francisco Manuel da Silva a letra e a música do Hino Nacional Brasileiro, de beleza e de virtude ímpares e íntegras, diante das demais Nações do mundo inteiro. Mesmo no País subdesenvolvido pelo ateísmo vigente, no tempo de César, levar em conta o brasileiro que descobriu a importância de não se jogar o facho de luz para o exterior, mas, para dentro de si mesmo. Oportunamente , agora, quando a ciência acaba de descobrir que ansiedade não é problema mental, é estado de espírito, pois na glândula pineal se instala a receptividade do Espírito, confirmando Dostoiévski (há mais de 100 anos) ao afirmar que a adoração a Deus é propriedade natural do ser humano. Propriedade tão nossa, que já há laboratórios estudando possibilidade de cirurgias para deletar do cérebro todas as impressões ruins recebidas.
O Perdão é o mais alto grau do Espírito para que as boas relações humanas se restabeleçam com Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, que nos foi dado para sempre. No amor erótico(JE T”AIME MOI NON PLUS) cantado por Serge Gainsbourg e Jane Birkin (outrora proibido) pede-se pelo perdão ao sofrimento, que não transpõe ao infinito o desejo do Cristo: “uma Igreja sem rugas e sem manchas”.Contemplar a flor sem dissecá-la por tudo que nos impede de dar “a Deus o que é de Deus”.

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA