AS MISSÕES NOS ECOS DE APARECIDA

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Ana Lucia Missaglia Guarnieri
“O céu é o meu trono e a terra um banquinho a meus pés” (Isaías, 6, 6).
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“Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!/ Criança! Não verás nenhum país como este!/ (…)Imita na grandeza a terra em que nasceste.” Olavo Bilac, Poesia Parnasiana (Escola Literária Realista Brasileira)
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Domingo (15/10/2017) em presença de 400 moradores do Rio Grande do Norte (Brasil) e de uma multidão de outras pessoas, Papa Francisco canonizou os padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro (sacerdotes diocesanos) o leigo Mateus Moreira e outros 27 companheiros.
Há 16/07/1645, Pe. André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente assassinados, quando participavam da Missa Dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no município de Canguaretama (RN) e, em 03/10/1645, houve o massacre a Uruaçu onde Pe. Ambrósio Francisco Ferro foi torturado e o camponês Mateus Moreira, martirizado (arrancaram-lhe o coração pelas costas) por motivo de intolerância religiosa: os invasores calvinistas não admitiam a prática da religião católica.
Além dos mártires brasileiros em missões pela paz do Brasil e do mundo, Cristóbal, Antonio e Juan (1527-1529) mortos por ódio à fé, Pe. Faustino Miguez (espanhol) e o capuchinho italiano Angelo d’Acri foram igualmente canonizados pelo Papa Francisco que incentivou os Cardeais brasileiros, entre outros assuntos importantes, a lutarem pela Floresta Amazônica, o Pulmão do mundo.
– Por que são lembrados, hoje, estes mártires brasileiros?
Recordando, resumidamente, alguns pontos importantes das comemorações aos 300 anos da Rainha e Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, talvez se encontre algo como reflexão principal ao tema.
Na retomada do documentário histórico sobre o encontro da pequena imagem da Aparecida, o repórter Rodrigo Alvarez não encontrou o nome do citado Frei Agostinho de Jesus (ou do conterrâneo, Frei Agostinho da Piedade) como autor da arte barroca (taxado de desconhecido) de que Deus, através da Mãe Maria, servir-se-ia para despertar os valores, que nos atraem à vida do Seu Reino. (Que feliz coincidência! Até nisso se revela a delicadeza divina, pois ao aceitar o que o homem cria é a pessoa humana que se aceita, não reproduzindo divisões, mantidas por pensamentos maldosos que separam, discriminam, rejeitam, assassinam).
No penúltimo dia das celebrações, o Núncio Apóstolico do Brasil obteve um pronunciamento direto do Vaticano do Papa Francisco que, na sua mensagem, clamou por “solidariedade e justiça ao FERIDO povo brasileiro”. (Sua Santidade teve 100% de assertividade espiritual, chegando ao âmago do rebaixamento do povo que se torna escravo de uma política absurdamente imoral na extorsão do dinheiro público que não é devolvido para a ORDEM E PROGRESSO da Nação Brasileira). E, no dia 12 de Outubro, mais de 23 milhões de peregrinos, vindos de todos os Estados do País e de outras Nações, vieram em peregrinação, de Itaguaçu à Basílica de Aparecida, multiplicar a sala dos milagres em superação aos sofrimentos e às dores, proliferadas pelo materialismo, que desvaloriza a vida, gerando ódio e descrença.(Pe. Fábio de Melo afirmou que os políticos corruptos estão no mesmo balaio, com medo de serem presos, e Pe. Zezinho acrescentou que as crianças mortas pelo incêndio criminoso de Minas Gerais, as que tiveram 90% do corpo queimado vão ser as acusadoras, no Juízo final, dos que lhes impediram a vida, desde a Creche).
De fato, todos somos peregrinos. Renato Teixeira, autor de Romaria, a música mais cantada, durante a festa dos 300 anos da Mãe Aparecida,confirmou: “Ela uniu o povo brasileiro”. E é pela beleza de sermos passageiros, não importa o grau de evolução em que nos encontremos, na grande escola da vida,que o importante é de algum modo servir .Assim o poeta (Kalil Gibran) teceu a sua trindade: “vida, amor, beleza” ,comparando a vida sem amor como a árvore sem flores e sem frutos e o amor sem beleza como flores sem perfume. E milhares de flores foram depositadas aos pés de Maria, sob a aclamação repetida de Dom Orlando Brandes: “Flores, sim! Guerras, não!” No dizer do filósofo (Bertrand Russel) “temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos”.
Daí a importância das Missões nos ecos de Aparecida e a canonização dos mártires brasileiros nesse momento histórico da Nação Brasileira.O leigo Mateus Moreira, no ato do sacrifício, afirmou:”Tudo pelo Santíssimo Sacramento”! É o resgate da nossa imagem, diante de Deus.Nas relações humanas, provou o apóstolo Paulo, tudo que se faz sem Amor não contribui à edificação de si mesmo e do semelhante. As missões tratam da nossa imagem perante o Pai, que Se encarnou em Cristo, no colo de Maria, e caminha conosco, até o final dos tempos, quando, segundo cientistas, já não haverá mais condições de vida na Terra. ”Eu vim para ficar”.É a lição maior do Amor supremo, que a cada instante é luz, que em trevas não se caminha, sem princípios não se vive e de egoísmo se morre.

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