Saúde pública, promessas apenas…

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Por Eduardo Sócrates Bergamaschi

Entra eleição, sai eleição, entra administração sai administração e o que vemos é sempre o mesmo filme. Candidatos prometem sempre melhoria nas condições da saúde pública.
Em Rio Claro não foi diferente. Durante o período pré eleitoral as promessas vieram aos montes. Isso porque, para os políticos, é importante em época eleitoral dizer aquilo que o eleitor QUER ouvir. E quem não quer ouvir que não haverá mais fila de espera na saúde de sua cidade? E quem não quer ouvir que acabará a demora de atendimento nas unidades de urgência e emergência?
Então é isso que TODOS prometem! Agora, depois de 10 meses de comando novo em Rio Claro, visita-se as unidades de urgência e emergência e nada mudou e em alguns pontos está pior do que estava antes.
Temos, hoje, funcionando as carretas da saúde que deverá minorar um dos problemas da saúde municipal que é a fila de exames. Mas e depois que elas forem embora, o que será feito para que a fila não cresça novamente? Nada. Dentro em breve as condições atuais voltará a ser discutida com novas filas.
A saúde pública, de acordo com a nossa Constituição, é um direito do cidadão e deve ser exercida por funcionários públicos concursados.
O governo federal e o estadual para se livrarem dessa incumbência municipalizou os serviços de saúde do país. E essa municipalização ocorreu sem que tenham sido dadas as condições para que os municípios assumissem as despesas que a atenção à saúde requer. Desestruturados, os municípios foram empurrando com a barriga e hoje a carreira pública de médico no Brasil está praticamente em extinção. Quando há concursos são anunciados com o propósito de não atrair profissionais, pois os valores do salário base são desmotivadores, justificando contratações emergenciais sem nenhum tipo de garantia e direitos trabalhistas.
Como resolver essa situação? Nos últimos 10 anos o Brasil mais que triplicou seus gastos com a Saúde. Apesar disso, continuamos tendo uma saúde de qualidade questionável. Portanto, o problema da saúde pública no país não é falta de investimentos e sim falta de gestão.
Talvez a solução para essa situação seria a criação de um plano de carreira pública, em todos os níveis de gestão de plano de cargos, carreiras e salários.
O que sempre pregamos em nossos textos é a urgente PROFISSIONALIZAÇÂO dos serviços públicos, entre eles o seguimento da saúde.
É difícil a situação, pois nossos políticos profissionais, aqueles que estão há 10, 20, 30, 50 anos no poder, não deixam que isso aconteça, pois não sobrariam cargos para negociar apoio político. Essa é a nossa atual “POLÍTICA PÚBLICA”. Infelizmente.
E aqui não queremos apontar partido A, B ou C e muito menos administração atual ou a passada, pois TODOS têm o mesmo “modus operandis”.
E enquanto isso prevalecer, enquanto nossos homens públicos não tomarem vergonha na cara e agirem como “verdadeiros políticos”, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. Será fila de espera na UPA da 29, na UPA do Cervezão, no PSMI da Avenida 15, nas UBS, nos exames, nas cirurgias eletivas, etc.
Saúde a todos…

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