Árabes dão tremenda ajuda para a humanidade ir a Marte

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Livio Oricchio, de Nice, França

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Há um discurso histórico, do então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, do dia 25 de maio de 1961. Disse que seu país iria levar o homem a Lua e o traria de volta, são e salvo, até o fim daquela década. A promessa foi cumprida.

No ano passado, dia 11 de outubro, outro presidente norte-americano, Barak Obama, afirmou que a Nasa levaria uma tripulação a Marte e regressaria a Terra na década de 30. Os desafios entre uma e outra missão são bem distintos. Viajar a Lua, a apenas 400 mil quilômetros da Terra, é uma coisa, ainda que para a época, e o conhecimento e recursos existentes, também fosse um superdesafio. Mas Marte, a 55 milhões de quilômetros da Terra, na menor distância, é bem mais complexo, caro e perigoso, mesmo com o desenvolvimento exponencial da tecnologia, como hoje.

É preciso muito estudo e o desenvolvimento de novas tecnologias para viabilizar o projeto lançado por Obama, em conjunto com a administração da Nasa. O que os Estados Unidos e as outras agências espaciais, como a ESA, da Europa, não contavam é com a ajuda dos Emirados Árabes Unidos (EAU), nação que reúne emirados como os de Dubai e Abu Dhabi, por exemplo.

Há poucos dias o primeiro ministro dos EAU, Mohamed bin Rashid, anunciou que a nação vai investir US$ 136 milhões (R$ 460 milhões) na construção da Cidade Científica de Marte. Numa área de 180 mil metros quadrados a comunidade científica internacional construirá a maior área já edificada para a simulação das condições de Marte, dentro do possível, lógico.

A Cidade Científica de Marte será um ambiente fechado, no deserto, com laboratórios para por exemplo, dentre tantos outros projetos necessários, obter oxigênio respirável da água em estado sólido, existente no planeta vermelho, preparo de amostras do “solo marciano” para o plantio de espécies vegetais e pesquisa com minerais locais para servir de fonte de combustível para a viagem de volta a Terra. Esses são apenas alguns exemplos. Veja só a mega extensão do desafio.

As edificações da Cidade Científica de Marte, dentre as mais sofisticadas do mundo, servirão também para as tripulações já instaladas estudarem como proteger a futura missão a Marte da radiação solar e da radiação cósmica.

Marte não tem campo magnético para repelir o vento solar, que são partículas emitidas pelo sol carregadas eletricamente, e sua atmosfera é bastante reduzida para conter os raios cósmicos de alta energia provenientes do universo em geral, por exemplo da explosão de estrelas de grandes massas, as chamadas supernovas.

Tudo isso é letal para o seu humano. E rapidamente. O Curiosity, da Nasa, um robô que lembra um jipe, realizando hoje pesquisa em Marte, apurou, com seus muitos sensores, que algumas dessas radiações matariam o ser humano em minutos.

Outra questão que a Cidade Científica de Marte pesquisará, sempre com as instituições de vários países, é o efeito da permanência humana em gravidade bem menor que na Terra. A gravidade de Marte é 38% menor que a do nosso planeta.

Em conjunto com os resultados obtidos pelos experimentos em curso na Estação Espacial Internacional (EEI), onde há microgravidade, é preciso entender melhor o que acontece quando o ser humano permanece dois anos sob gravidade menor para a qual foi projetado.

Temos a referência do cosmonauta russo Gennady Padalka, que em setembro de 2015 regressou a Terra depois de 879 dias no espaço, dois anos e quatro meses, na EEI.
Outro desafio a ser estudado na Cidade Científica de Marte é encontrar maneiras de se proteger da grande variação de temperatura que o ser humano experimentará na superfície do planeta, entre 18 graus, algo bastante familiar a nós, e 140 graus Celsius negativos. Na Antártida, a temperatura mais baixa registrada foi de 89 graus Celsius negativos.

Mais: Marte tem uma inclinação em seu próprio eixo bem parecida com a da Terra. Aqui é de de 23 graus. Lá, 25. Valores aproximados, tá? Isso significa que o planeta vermelho também tem estações do ano, como a Terra. Se o planeta não fosse inclinado, não as teria. Seria metade do ano verão e a outra metade inverno.

Mas há um problema. Marte está mais longe do Sol que a Terra. Ele completa a sua órbita em 687 dias. A Terra, você sabe, dá uma volta ao redor do Sol em 365 dias. Em outras palavras, o ano em Marte dura quase o dobro do que na Terra e, consequentemente, as estações do ano também. Já imaginou um inverno de oito meses com temperaturas regulares abaixo dos 100 graus Celsius? É a realidade de Marte.

Para resumir, amigos, a iniciativa dos EAU associada a tudo que já se faz no mundo científico internacional apressará a primeira viagem do homem ao planeta que reúne as melhores condições, no nosso sistema solar, apesar de todas as agressões descritas acima, para receber uma missão da humanidade.

liviooricchio@gmail.com

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