FUTEBOL NOS PÉS E NA CABEÇA

129

Por Geraldo J. Costa Jr.

O Cruzeiro sagrou-se pela quinta vez campeão da Copa do Brasil, na última quarta-feira, 27, diante de quase 60 mil pessoas que se acotovelaram no Estádio Magalhães Pinto, mais conhecido como Mineirão, em Belo Horizonte/MG.
Contudo, o futebol apresentado pelos finalistas Cruzeiro e Flamengo, deixou muito a desejar. Quem se importa com isso? Pouca gente. Finais não costumam ser geralmente jogos de encher os olhos do torcedor.
Aliás, o futebol brasileiro, já faz muito tempo, não empolga o torcedor. Estádios modernos localizados nos grandes centros atraem mais o torcedor do que o próprio futebol. Esse talvez tenha sido realmente o único benefício da Copa do Mundo de 2014. Continuassem existindo aqueles estádios antigos e depauperados e o público presentes na arquibancadas seria bem menor.
O futebol hoje é um negócio altamente lucrativo. Em países europeus movimenta anualmente cerca de R$500 bilhões. A Inglaterra, que tem o mais badalado campeonato nacional da atualidade responde por cerca de 30% e a Alemanha, 20% desse faturamento. O Brasil, nada mais que 2% de toda a receita gerada mundialmente.
Em termos de gestores de negócios quando o assunto é futebol, os clubes brasileiros ainda se acham no tempo das cavernas. E bem poderia ser diferente, fossem os clubes dirigidos por profissionais qualificados na área de gestão esportiva. Mas, como tudo neste país, a política se faz presente e prevalece. E impede que os clubes brasileiros, de fato, se profissionalizem.
Por tudo o que representa para o País, o futebol brasileiro deveria receber um tratamento diferenciado que ultrapassasse as fronteiras do desporto e do negócio. Deveria ser visto e tratado como fator cultural e oportunidade de instrução para crianças e jovens.
O futebol, se levado a sério como cultura, poderia ser ensinado nas escolas, com ênfase no seu aspecto histórico, humanístico e social. E assim, contribuir para a formação de futuros adultos com a mentalidade sadia que a prática do desporto e o exato entendimento do que ele representa para a sociedade humana, desperta e estimula.
A exemplo do que se dá nos EUA, com o basquete, poderíamos ter por aqui o futebol universitário, que, sem dúvida, seria uma oportunidade a mais para que os jovens tivessem uma perspectiva positiva de futuro que agregasse o desenvolvimento da sua vocação profissional e esportiva.
Estamos longe disso, sem dúvida. Mas o esporte, e com o futebol não é diferente, nos mostra todos os dias que os desafios existem para serem superados.
O colaborador é escritor
jcostajr2009@gmail.com

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA