Dinheiro que vai para o esgoto…

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Por Eduardo Sócrates Bergamaschi

O brasileiro, jamais em sua história tomou conhecimento de tanta roubalheira nos governos municipais, estaduais e federais. Não se fala mais em propina de mil reais, só milhões e muitos bilhões.
Vendo os valores que a imprensa divulga sobre as atuais corrupções fica difícil entender o estudo da ANA (Agência Nacional das Águas) que diz que: “a universalização do esgotamento sanitário na área urbana do país necessitaria de R$ 150 bilhões em investimento, tendo como horizonte o ano de 2035. Cerca de 50% dos municípios, que precisam de serviço de tratamento convencional de esgoto, demandam 28% do valor estimado. Já 70 dos 100 municípios mais populosos requerem solução complementar ou conjunta e concentram 25% do total de investimento”.
Ou seja, para os próximos 18 anos, seriam necessário aquele valor para dar uma vida digna para quase todos os brasileiros, no que concerne ao Saneamento Básico.
A julgar pelos valores anunciados que foram desviados dos cofres públicos, este valor seria irrelevante, caso conseguíssemos estancar esta sangria que anualmente corre para os esgotos dos bolsos de nossos políticos. E que sabemos que deve ser muito maior do que aquilo que se anuncia.
Será que a Lava Jato vai nos dar o gostinho de estancar pelo menos uns 70% dessa sangria? Talvez! Eu, particularmente não acredito.
E enquanto sonhamos com esse milagre, o Brasil já tem um Tietê por Estado, sendo que 81% dos municípios brasileiros despejam esgoto em rios, inclusive aqui em Rio Claro. Já vimos muitas promessas de que o esgoto seria 100% captado e tratado aqui na cidade e já estamos há mais de 10 anos da primeira data prevista.
De acordo com o estudo da Agência Nacional de Águas, o país tem o equivalente à extensão dos 17 rios mais longos do mundo combinados ‘mortos’ por causa da poluição.
Quem vive em bairros de classe média ou alta de alguma grande ou média cidade brasileira, é quase certo que a sua casa possui coleta de esgoto. É muito provável também que haja nas proximidades um rio urbano, com seu persistente mau cheiro. Alguma chance de aquele fedor e o seu esgoto estarem ligados? Em quatro de cada cinco municípios brasileiros, a resposta é sim.
As deficiências na coleta e no tratamento de esgoto no Brasil não são novas. Mas pela primeira vez conseguiu-se estimar o impacto da falta de saneamento nos cursos d’água, e quanto custaria para que todo o País tivesse o mínimo de tratamento previsto por lei”.
Na verdade, considerando a lei brasileira, o índice é ainda pior: quase 90% das cidades do País trata menos de 60% do esgoto – o mínimo para que se possa lançá-lo nos rios, segundo a resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente, ligado ao Ministério do Meio Ambiente).
Apenas 769 cidades (entre as 5.570 que existem no Brasil), a maioria delas no Sudeste, fazem mais do que isso. Entre os Estados, só São Paulo, Paraná e o Distrito Federal removem mais de 60% da carga orgânica dos esgotos produzidos em seu território. Quase 70% dos municípios não possuem nenhuma estação de tratamento.
Então, a nós pobres mortais, cabe-nos orar para que a Operação Lava Jato surta o efeito desejado e que o dinheiro dos nossos impostos deixem de ir para o esgoto político nacional e seja direcionado para dar tratamento de esgoto à pelo menos 90% de nossa população.
Se você, leitor, acredita em Deus, vale a pena, ore. Só por Ele mesmo…

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