Darcy Ribeiro – Compreendendo o Brasil: As guerras do Brasil

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A construção do Brasil baseada na conceituação de nossas três raízes que nos forjaram, ou seja, a indígena, a portuguesa e a africana não foi um processo pacífico cordial.
A real história do Brasil está fundamentada em grandes conflitos e massacres. O entrechoque de culturas levou-nos às inevitáveis batalhas, a começar pela imposição salvadorista dos portugueses que viram nos nativos a personificação do herege, a profanação da existência.
Dentre as conjunturas européias e suas disputas, a colônia Brasil sofrera suas consequências da mesma forma.
Inúmeros conflitos originários surgiram, como por exemplo, no período Colonial, destacamos: a guerra de Iguape, a batalha do Cricaré, a batalha das Canoas, a batalha de Guaxenduvas, a batalha de M`Bororé, e a batalha de Tejucupapo.
Com a invasão holandesa, no século XVII, as batalhas ferozes que podemos destacar são: a Jornada dos Vassalos (recaptura da Bahia), a Batalha Naval dos Abrolhos, a Batalha de Porto Caivo, a Batalha do Monte das Tabocas e a Batalha de Guararapes.
A Guerra dos Palmares, ocorrida na segunda metade do século XVII, destaca-se como uma das batalhas mais épicas, onde os negros, ali rebelados, tiveram inúmeras vitórias, mas também tiveram o infortúnio de não poder perder nenhuma.
A Guerra dos Emboabas, já ocorrida no século XVIII e suas batalhas de Cachoeira do Campo e Capão da Traição pelo direito de exploração das recém descobertas jazidas de ouro, na atual região de Minas Gerais.
A Guerra Guaranítica e sua batalha de Caiboaté, também ocorridas no século XVIII, cerca de 1500 índios guaranis perderam a vida confrontando o exército espanhol.
Nossa guerra pela independência ocorreu pelos confrontos: a Rebelião de Avilez, a Batalha do Forte São Pedro, a Batalha de Cachoeira, a Batalha do Funil, a Batalha de Pirajá, Batalha do Funil, Batalha de Camarugipe, Batalha do Itaparica, Cerco a Caxias, entre outros.
Tivemos também a Cabanagem, a Balaiada e a Revolução Farroupilha.
Fora os golpes e contra golpes que estão marcados em nossa sociedade com incontáveis guerras em seu dia a dia.
O sangue mestiçado na desconstrução cultural e as invasões estrangeiras forjaram nossa sociedade.
A unidade nacional nasce fruto dessas inúmeras guerras e batalhas, entretanto o abismo social jamais foi vencido.
O discurso da cultura passiva, a cordialidade intrínseca, o não preconceito de raça são os embustes para o cabresto que nossas classes dominantes impingem para continuar sua dominação.

Henrique Matthiesen

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