Duplicação da Rodovia SP-127: Vinte Anos

511

Vinte anos completam as obras de duplicação da Rodovia “Fausto Santomauro”, SP-127, que liga Rio Claro à Piracicaba (1997 – 2017), realizadas à época do governo Mário Covas, teve à frente o Governador Geraldo Alckmin Filho, em exercício.
A empreiteira responsável impactou o trecho de 300m e entorno do Sítio Arqueológico RC-10, nas proximidades do Distrito de Assistência, custeando as pesquisas arqueológicas executadas pela Prefeitura Municipal de Rio Claro, com consultoria do Museu Nacional – UFRJ (à época, não fora realizado o devido estudo de impacto ambiental).
Portando, paralisou-se a duplicação da Rodovia no referido trecho para que fosse feito o salvamento arqueológico e posterior monitoramento da obra até o final. Destes trabalhos, permaneceu uma área de proteção arqueológica federal – Portaria IPHAN, n 3o de 21 de janeiro de 1998 – denominada “Bloco Testemunho” (parte do sítio arqueológico mantido intacto para estudos futuros; exemplificativamente; análise estratigráfica).
Para a reparação aos danos causados no Patrimônio Arqueológico Nacional, as empresas envolvidas construiriam em área municipal um Museu de 80m2 (para abrigar o material arqueológico resgatado) e cederiam os instrumentos de laboratório necessários à análise desse material. A Prefeitura comprometeu-se a construir uma via para ciclistas, paralela à Rodovia SP-127.
Naquela época, a medida de “embargo” teve enorme repercussão regional e mesmo nacional. É que, a estrada fora palco de milhares de acidentes automobilísticos e sua duplicação era esperada há anos.
Lamentavelmente, logo após, inaugurada a duplicação, no dia 27 de setembro de 1998, nada mais se soube do Projeto de Monitoramento e Salvamento Arqueológico do Sítio (RC-10) da Rodovia (SP-127) “Fausto Santomauro” (pesquisa coordenada por Marizilda Couto Campos, no âmbito da Prefeitura Municipal, e Maria Lúcia Pardi, pelo IPHAN, ambas responsáveis pelo embargo); envolvidos no projeto, ainda, a empreiteira S/A Paulista e o DER-SP.
As pesquisas de campo e de laboratório, bem como os Relatórios de Pesquisas foram por mim realizadas, com o resgate de sete mil peças líticas, aproximadamente, que ainda aguardam estudos, mesmo após ofício que, à época, encaminhei ao Secretário dos Transportes do Estado, Michael Paul Zeitlin, solicitando “intervenção” nas questões referentes à finalização das pesquisas.
Na Rodovia, sob concessão das Rodovias das Colinas, o “Bloco Testemunho”, embora com placas indicativas (colocadas por exigência do IPHAN, uma já retirada e diversas áreas queimadas), restou brutalmente danificado. Continuadamente desfigurado o “Bloco Testemunho” RC-10 e a área arqueológica do entorno de 300m (inclusive, dos antigos Fornos de Cal – Caieiras do final do século XIX), pelas descuidadas limpezas mensais com roçadeira manual e trator; pela implantação de postes, cabos telefônicos, e a descuidada construção de muretas. Destruído o sítio arqueológico quando da construção da praça de pedágio, sem restar bloco testemunho (as terras para aterro da área foram trazidas do sítio arqueológico RC-10). Enfim, destruições, mutilações e queimadas consignadas em Boletins de Ocorrências das Polícias Civil, Ambiental, e do Corpo de Bombeiros, bem como em relatórios técnicos com documentação fotográfica.
Cumpre ressaltar, mesmo afastado do acompanhamento das obras, continuei o monitoramento das áreas arqueológicas históricas e pré-históricas no Distrito de Assistência. Árduo trabalho que culminou, no ano de 2003, com o ajuizamento de Ação Civil Pública pelo Ministério Público Federal, em que deferida medida liminar para conter a contínua destruição do Sítio Arqueológico RC-10. Em 05 de março de 2008, para por fim à lide, foi solicitado representante do Município de Rio Claro que indicasse imóvel da cidade, onde, com as devidas de reformas, pudesse ser adequadamente abrigado o material arqueológico coletado no Sítio RC-10 (não estudado até a presente data).
Assim, em 19 de agosto daquele mesmo ano, a Colinas foi condenada a entregar à Prefeitura Municipal de Rio Claro, a importância de R$ 180.000,00 (cento e oitenta mil reais), destinada ao custeio de uma das etapas de restauração do imóvel “Solar da Baronesa de Dourados”, sede do Museu Histórico e Pedagógico “Amador Bueno da Veiga”.
Há que registrar, na defesa do sítio arqueológico, as destacadas atuações das Polícias Civil (Delegados e Delegadas, Investigadores e Escrivães), Técnica-Científica e Ambiental, e do valoroso Corpo de Bombeiros de Rio Claro.

Discurso do prefeito municipal durante as festividades de inauguração
Discurso do prefeito municipal durante as festividades de inauguração
Ponta foliácea em sílex cinza-claro e escuro encontrada no Baixo Assistência
Ponta foliácea em sílex cinza-claro e escuro encontrada no Baixo Assistência
Trincheiras abertas na área arqueológica do Baixo Assistência
Trincheiras abertas na área arqueológica do Baixo Assistência
Discurso do prefeito municipal durante as festividades de inauguração
Discurso do prefeito municipal durante as festividades de inauguração
Autoridades municipais recepcionam o Secretário Zeitlin no Aeroporto na inauguração da duplicação
Autoridades municipais recepcionam o Secretário Zeitlin no Aeroporto
na inauguração da duplicação
Famosa Coluna “Sapinhos”, do desenhista Percy de Oliveira, publicada no “Diário do Rio Claro”, satirizando Vereador sobre a descoberta dos Fornos de Cal (Caieiras)
Famosa Coluna “Sapinhos”, do desenhista Percy de Oliveira, publicada no “Diário do Rio Claro”, satirizando Vereador sobre a descoberta dos Fornos de Cal (Caieiras)
Desfile realizado na inauguração da duplicação da rodovia
Desfile realizado na inauguração da duplicação da rodovia
Prospecção arqueológica realizada no Sítio RC-10
Prospecção arqueológica realizada no Sítio RC-10

Aq 9

Inauguração da duplicação da SP-127, próximo ao Viaduto de Tanquinho, vendo-se o Secretário Zeitlin, prefeitos de Rio Claro e Piracicaba e o repórter Picolin
Inauguração da duplicação da SP-127, próximo ao Viaduto de Tanquinho,
vendo-se o Secretário Zeitlin, prefeitos de Rio Claro e Piracicaba e o repórter
Picolin
Charge sobre o embargo das obras de duplicação publicada no “Jornal de Rio Claro” (autor: Luis Urich)
Charge sobre o embargo das obras de duplicação publicada no “Jornal de
Rio Claro” (autor: Luis Urich)

Anselmo Ap. Selingardi Jr.
Perito Judicial em Arqueologia e Documentação Histórica
Inscrição: N. 1417 SP

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA