Vettel x Max Verstappen x Raikkonen: acidente de corrida. Ponto.

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Arnaldo Diniz

Acredito que vocês não me conhecem, pois escrevo pela primeira vez neste espaço. Estive no GP da Itália de F1, em Monza, a convite dos meus amigos Edison Cortêz, aqui do Diário do Rio Claro, e do José Vitte, do A Cidade, de Santa Gertrudes. Como acompanhei de perto, também, a última etapa, em Cingapura, o Edison me convidou para expor a minha visão do ocorrido na largada, com consequências diretas na definição do vencedor e talvez até do campeonato.

Deixo eu falar uma coisa. Eu também sou piloto, como o José Vitte, disputamos a mesma competição, o Mercedes Challenge. Este ano eu decidi me dedicar mais aos negócios, lidero a concessionária Mercedes Comark, em São Paulo. Em 2014 fui campeão.

Sei que já faz uma semana desde os acontecimentos no Circuito Marina Bay, em Cingapura, mas isso não impede de eu expor a minha opinião. Todos viram, primeiro, na classificação, a vantagem técnica da Ferrari na definição do grid. O Sebastian Vettel estabeleceu a pole position com uma volta de arrepiar.

Naquela volta final, no Q3, ele raspou o muro com a roda traseira esquerda, para se ter uma ideia do limite em que pilotava. Teve sorte, concordo. Mas essencialmente vimos uma demonstração de talento como em poucas ocasiões.

Mas sua eficiência acabou ali. Na largada, Vettel deixou as rodas patinarem demais, e estava do melhor lado da pista para tracionar, a posição impar, primeiro no grid. Largou tão mal que mesmo Max Verstappen, da Red Bull, segundo, e Kimi Raikkonen, seu companheiro de Ferrari, quarto, ambos em posição par, emparelharam com ele 200 metros depois de iniciada a corrida e, provavelmente, o ultrapassariam na curva 1, pois chegariam em maior velocidade e com o carro em melhores condições. A largada de Raikkonen foi excepcional.

Vettel não imaginava que teria de dividir a curva com os três. Ele sabia que para voltar à liderança do campeonato, perdida em Monza, onde eu estava com o Edison e o José Vitte, precisava ganhar o GP de Cingapura. O que ele fez? Ao ver que Max se aproximavam rápido pela esquerda, desviou o carro a fim de fechar a porta, como todo piloto que deseja vencer faria.

Para mim, Vettel não viu Raikkonen, não imaginou que Max não teria espaço para ir para a esquerda. Essa situação levou os três a colidirem. Não há culpados. Foi um acidente de corrida. Com desdobramentos nefastos para as possibilidades de a Ferrari ser campeã novamente. Hamilton agradeceu Vettel, venceu, ampliou a diferença entre ambos de 3 para 28 pontos e colocou a mão na taça.

Vendo globalmente o evento, a pista de Cingapura é oposta a de Monza. Um carro com um bom chassi, mesmo não dispondo de um motor capaz de disponibilizar muita potência, pode ir bem em Cingapura. É o traçado com o maior número de curvas do calendário da F1, 23. Em Monza, não tem nada disso. É reta e pé no fundo o tempo todo. Sem um bom motor você não faz nada.

É por essa razão que em Cingapura tanto a Ferrari, mas principalmente a Red Bull-Renault, andaram tanto quanto ou mais que a Mercedes. O motor alemão não ajudou Lewis Hamilton e Valtteri Bottas a fazer a diferença. Já na próxima etapa do mundial, dia 1º, na Malásia, 15ª do calendário, o motor de novo voltará a contar bastante, ainda que não como Monza, claro.

Uma palavrinha sobre o Felipe Massa, que nos recebeu tão bem em Monza. Que coisa a sua equipe insistir em mantê-lo na corrida, em Cingapura, com os pneus de chuva enquanto todos já estavam com os intermediários e registravam tempos melhores. A aposta deles era de que poderia voltar a chover. Mas só a Williams acreditava nisso.

Tanto que o Felipe passou direto do pneus de chuva intensa para os de pista seca, nem usou os intermediários. No primeiro pit stop o time apostou em mais água e colocou pneus de chuva de novo. Não acreditei quando vi.

Quando o Felipe deixou os boxes, com os pneus lisos, para asfalto seco, seus tempos eram excelentes, chegou a ser o mais rápido da pista em determinado instante, mas o estrago já havia sido feito. Felipe perdeu muito tempo com os pneus de chuva. Lá atrás, não havia como avançar demais na classificação. Infelizmente recebeu a bandeirada em 11º.

Já o seu companheiro, o Lance Stroll, mesmo sem fazer uma grande corrida, mas com a estratégia certa, ou seja, permanecer com os pneus intermediários, a adotada por quase todos, terminou em oitavo. Como o Felipe estava na frente dele, é bastante realista imaginar que concluiria as 58 voltas da prova em sétimo. Excelência na estratégia nunca foi o forte da Williams. Abraços e até uma próxima oportunidade.

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