Partido de um homem só

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Por: Eduardo Sócrates Bergamaschi

De acordo com matéria publicada no UOL Notícias, o PT estuda “boicotar” as eleições de 2018 se Lula não puder ser candidato (o que é praticamente certo).
Em caso de condenação em segunda instância e consequente proibição de Lula em se candidatar nas próximas eleições, o partido não disputaria a presidência e não lançaria candidatos ao senado ou à Câmara dos Deputados.
De acordo com a senadora Gleisi Hoffmann “o impedimento de Lula seria uma fraude nas eleições. (O boicote) é uma coisa que não está sendo oficialmente discutida ainda, mas vai caminhar para isso se ele for impedido de ser candidato. É um processo que não tem base jurídica”.
Lembro que o ex-presidente já tem uma condenação em primeira instância no âmbito da operação Lava Jato em processo que é acusado de receber um tríplex da construtora OAS como forma de propina.
Além dessa condenação, o ex-presidente viu a sua situação jurídica e política se complicar ainda mais com a confissão de seu ex-ministro da Fazenda e braço direito Antonio Palocci.
Esse posicionamento do Partido dos Trabalhadores, nos faz concluir que o partido nunca existiu; o que existiu foi o Partido do Lula. Sem o ex presidente, o PT, com certeza ainda continuaria no ostracismo político brasileiro.
Os próprios “companheiros”, em sua grande maioria, não acreditam no partido como uma instituição de ideais sociais, de partido dos pobres, de partido que luta pelas causas que beneficiem a sociedade brasileira como um todo.
Os “companheiros” acreditam apenas no “companheiro” Lula, independente do que ele fez ou deixou de fazer. Sim, porque não é possível, em sã consciência, que eles acreditem na inocência do ex-presidente, com tantas evidências, com tantas denúncias, inclusive a do Palocci, que foi o homem de confiança de Lula, junto com o Zé Dirceu, por tanto tempo.
Alguns setores do PT repetem o mantra da “perseguição política pelo Ministério Público e pelo Judiciário brasileiros”, “golpe”, etc, já sem nenhuma eficácia para convencer os eleitores.
Alas do PT, no entanto, não são favoráveis à tese do boicote, como é o caso de Tarso Genro, que disse em entrevista à BBC Brasil: “Acompanho esta discussão e Lula é certamente o meu candidato. Mas esta posição de não ter candidato, boicotando as eleições se Lula não puder concorrer, é o resquício de uma velha ARROGÂNCIA de uma parte do PT, que acha que não existe vida inteligente, de esquerda, fora do nosso partido. O campo democrático de centro esquerda tem candidatos possíveis para nos representar, tanto à esquerda de Lula, como mais ao centro”
E aí está a grande verdade, dita por um petista. Arrogância, este sempre foi o mal do PT, em se achar o Salvador da Pátria, em achar que não existe nada além do seu partido, nem povo, nem justiça, nem Brasil. E esta ARROGÂNCIA pode enterrar o partido de vez, já que Lula não será candidato.
E que os anjos digam Amém…

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