Só por Deus mesmo…

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Por Eduardo Sócrates Bergamaschi

“De acordo com dados da Catedral de Compostela, o Brasil passou da 13ª para a 11ª no ranking de países que mais enviam viajantes para a rota que tem, no total, cerca de 800 quilômetros (Caminho Francês). O Caminho de Santiago não é uma viagem, é um projeto de vida. Ao longo de 30 dias, o peregrino tem a oportunidade de buscar-se a si mesmo. É a forma com que muitas pessoas recorrem para virar a página e encontrar novos significados para suas vidas.
Essas pessoas que fazem esta viagem, trocam o conforto de um hotel ou de sua casa; os seriados favoritos; as facilidades do delivery; o happy-hour do fim do dia com os amigos, para caminhar, todos os dias, cerca de 25 quilômetros em um país estranho.
E em 2016 esta foi a opção de 4.365 brasileiros que, em 2016, fizeram o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Em 2012, esse número era de 2,229 – um aumento de 98% em apenas cinco anos”. Este é parte de um texto de Daniel Agrela, viajante profissional. Formado em jornalismo, iniciou sua vida de mochileiro em 2002.
Aí fiquei pensando, seria por acaso que brasileiros tenham se enveredado pelos caminhos de Compostela apenas por loucura, curiosidade, fé.
Este aumento de brasileiros no Caminho de Compostela seria apenas curiosidade turística? Não acredito que alguém, simplesmente para fazer turismo se sujeite a caminhar 25 quilômetros por dia, durante 30 dias.
Velhas piadas sempre são bem vindas e eu me lembro de uma que um dia me contaram: dizem que quando Deus fez o mundo, ao terminá-lo sofreu algumas contestações. Cobravam de Deus o seguinte: “Poxa vida, em todo lugar do mundo sempre há uma ameaça natural, terremotos, furacões, tsunamis, guerras santas, guerras nem um pouco santas e no Brasil não há nada, só belezas naturais. O Senhor não está sendo injusto não. Ao que Deus respondeu: “Vocês verão os políticos que colocarei lá”.
E não é que refletindo sobre essa piada chegamos à conclusão que não há nada mais destruidor na natureza do que esses políticos.
Os furacões destroem as casas de pessoas, mas o estado, geralmente, nestes lugares lhes garantem condições de reergue-las e em espaço de tempo muito curto.
Os nossos políticos não deixam nem que consigamos comprar nossas casas, que dirá reconstruí-las.
Os furações, os tsunamis, os terremotos matam algumas pessoas a cada dois, três anos.
Os nossos políticos matam milhares de brasileiros anualmente, ao desviarem para seus bolsos dinheiro que poderia estar sendo endereçado à saúde, segurança, educação, saneamento básico, manutenção de estradas, etc…
Concluindo, eu acho que o número de peregrinos brasileiros em Compostela só não aumentou mais, porque nossos políticos não permitiram.
Caso contrário, com certeza todos nós estaríamos lá pedindo perdão a Deus e solicitando a expurgação destes senhores do mal, de nossas vidas…

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