Dinheiro & felicidade

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José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo
A sabedoria popular consagrou o “dinheiro não traz felicidade”. Verdade? Muito relativo. Recente estudo da FGV feito em São Paulo e Rio mostrou que renda maior traz maior satisfação.

De acordo com a pesquisa da Sondagem do Bem Estar, o ranking de bem estar aumenta à medida em que cresce a renda. Quem recebe até R$ 1.200 por mês, a faixa mais baixa da pesquisa, teve a menor média de felicidade: 7,58 pontos. Já no nível mais alto, de quem ganha R$ 10 mil ou mais por mês, a satisfação também subiu para 8,22 pontos.

Na pregação que se faz rumo à recuperação das virtudes esquecidas por uma sociedade consumista, hedonista e egoísta, é fácil falar que é mais importante “ser” do que “ter”. Na prática, todos são bombardeados por uma publicidade que mostra êxito apenas para quem obtém os bens da vida só alcançáveis com dinheiro.

Já se descobrira isso de várias outras formas. O romance da tipologia “um amor e uma cabana” não prospera. Sem um mínimo de conforto, de privacidade, de liberdade, enfim, de pouco adianta a paixão. Ainda é a receita para aqueles pais retrógrados, que não aceitam o casamento de um filho ou de uma filha: deixar o casalzinho apaixonado à sua própria sorte. O amor sobreviverá? Se subsistir, será exceção.

Françoise Sagan, prestigiada existencialista francesa, teria dito que a felicidade não depende de dinheiro. Mas se tiver de chorar, é melhor fazê-lo dentro de uma Mercedes Benz do que à sarjeta do Sena.

Que tudo isso não nos torne mais materialistas. Ao contrário: incentive principalmente os jovens a alcançar sucesso mediante estudo firme, trabalho devotado, esforço e sacrifício. Valores tão negligenciados por uma sociedade que se acostumou a demandar tudo do governo e, por só ter direitos, não assume deveres, responsabilidades e obrigações.

O protagonismo ainda é a melhor estratégia para se conseguir aquilo com que se sonha. A não ser que o seu sonho não dependa, absolutamente, de qualquer recurso financeiro.

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