Deus escreve certo por linhas tortas…

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Por: Eduardo Sócrates Bergamaschi

Uma das mais discutidas e polêmicas decisões judiciais dos últimos tempos foi a premiação dada a Joesley Batista em sua delação premiada acordada com Rodrigo Janot, procurador-geral da República.
Por esta decisão, o procurador recebeu bombardeio de todos os lados: da população, da imprensa e até de alguns de seus parceiros de judiciário.
Na verdade ninguém entendia o porque de um réu confesso ficar livre de prisão, mesmo colaborando com a justiça para desbaratar tramas maquiavélicas.
Mas o destino, será mesmo o destino?, colaborou para que o procurador pudesse “limpar sua barra”. Uma gravação veio parar em suas mãos, onde percebeu-se que os delatores, criminosos confessos, mostravam que sabiam muito mais do que delataram anteriormente, o que possibilitou a quebra do acordo de delação premiada anteriormente assinado.
Pronto, nos últimos dias como procurador-geral da República, Janot enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) nessa sexta (8) um pedido de prisão dos delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud e também do ex-procurador Marcello Miller.
A motivação que levou Janot a tomar esta posição não importa, o que importa mesmo é que a justiça está sendo feita.
Muito embora a solicitação de Janot ainda será analisada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na corte e o responsável pela homologação do acordo de delação dos executivos do grupo, não se acredita que diante das inúmeras provas a posição do ministro seja outra que não a confirmação da prisão.
Mas, mesmo assim, vai ficar a pergunta que não quer se calar: “Depois de ganharem a maior premiação do mundo, os delatores ficaram fazendo troça do Ministério Público, do Supremo Tribunal Federal e em especial do procurador-geral, a quem consideraram extremamente ingênuo. Depois do vexame, desculparam-se afirmando que tudo o que disseram na gravação sobre Rodrigo Janot e o Supremo Tribunal Federal não é verdade!”. Então, porque será que os “delatores premiados” deixaram que esta gravação chegasse às mãos de Janot? Ingenuidade? Nem pensar. Burrice? Muito menos? Então…
Moral da história: “Os mais céticos dirão que justiça está sendo feita. Os mais religiosos dizem que é Deus escrevendo por linhas tortas. Aqueles que convivem mais neste meio político, porem, dirão: sei não…

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