Deus nos acuda…

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Por Eduardo Sócrates Bergamaschi

A cada novo ato que vem à tona envolvendo a JBS mais nos assemelhamos aos áureos tempos da Camorra italiana. Afinal, quem é que governava estes país ou quem é que governa? Pelo que temos visto, lido e ouvido, parece que nós éramos governados pela J&F e não pelo executivo nacional.
O dinheiro que estes senhores da J&F angariaram em tão pouco tempo, levaram-lhes a dominar o legislativo e o executivo nacional e quiçá o judiciário.
Mas diz um velho e sábio ditado que quando as pessoas de má índole tomam muita corda, acabam morrendo enforcados.
E parece que deram a Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, a oportunidade de consertar a lambança feita ao dar imunidade total a estes senhores em acordo de delação premiada.
Nessa segunda-feira (4), o procurador geral da República anunciou em coletiva que determinou a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações de práticas de crimes no acordo de delação premiada dos executivos do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS.
Segundo o procurador geral, dependendo do resultado da investigação, os benefícios oferecidos no acordo de colaboração de Joesley Batista e de outros dois delatores poderão ser cancelados.
No pronunciamento feito na Procuradoria Geral da República (PGR), Janot anunciou que investigadores obtiveram na última quinta-feira (31) áudios, com conteúdo que ele classificou de “gravíssimo”, nos quais um dos donos da empresa, Joesley Batista, conversa com Ricardo Saud, diretor institucional da J&F e um dos delatores da Lava Jato.
Estaria aí a salvação do Presidente Michel Temer? Porque senão vejamos, se houver motivo para cancelar os direitos concedidos aos “delatores premiados”, será que bons advogados (e isso o presidente deve ter), não descaracterizariam as provas obtidas através daquela tal gravação? Poderia alegar flagrante armado, por exemplo. Será?
Em 19 de maio, o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu um texto, de onde tirei o seguinte trecho: “Se surgir uma evidência de que os contatos de Joesley com o MPF e com PF antecederam a gravação, estaremos diante da nulidade da operação. É simples assim. Mais: autoridades teriam participado de uma conspiração — esse é o nome — para gravar o presidente de forma ilegal. Edson Fachin, no entanto, não quis nem saber: homologou tudo”.
Pois é! Será? Nós brasileiros estaríamos diante de mais uma enorme pizza? O presidente conseguirá “provar” que era inocente?!
Como a decisão de tudo, nos finalmente, estará nas mãos do Supremo… Tudo, mas tudo mesmo, é possível.
E a nós, pobres mortais que vemos nossos impostos, na sua grande parte sumir nos ralos das maracutaias políticas, só nos resta gritar: DEUS NOS ACUDA…

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