Inauguração do Matadouro Municipal completa 131 anos

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Estruturas do Matadouro invadidas por raízes

Apesar da pressão e clamor de setores mais esclarecidos da sociedade rio-clarense que conhecem a história e defendem a necessidade de uma política de preservação capaz de impedir que monumentos arquitetônicos cheguem ao extremo estado de abandono e destruição, o problema persiste.
É o caso – dentre muitos outros – do antigo Matadouro Municipal, em iminente risco de desabamento no local. Inclusive, a degradação do Meio Ambiente provocado pelo Lixão Municipal anexo.
Lamentavelmente, o antigo Matadouro Municipal, principal prédio industrial de Rio Claro, do período imperial, começou a desmoronar.
Às margens do “monstruoso” Lixão Municipal (onde jazem os restos vegetais da histórica Figueira da Boa Morte e a da Praça Major José David Teixeira, das árvores do Mercado Municipal, Avenida da Saudade…), situa-se o Matadouro, na nobilíssima área de Rio Claro, entre a Cidade Jardim e o Aeroclube. Região do Complexo Educacional COC e do Boulevard dos Jardins; da Rua João Polastri (extraordinário jogador de futebol e Treinador do Velo Clube, grande entusiasta do esporte rio-clarense), antiga Estrada do Matadouro; dos Condomínios Jardins Di Scarpa, Villágio Gávea, Jardim Botânico, Vila dos Manacás, Jardim Leblon, Jardim Porto Fino, Condomínio Residencial Paraty, Residencial Portinari e Jardim Itapuã (que dá acesso aquele saturado lixão municipal).
O Matadouro, inaugurado em 22 de agosto de 1886 pelo Intendente Dr. Manoel Pessoa de Siqueira Campos, com inscrição no frontispício, foi visitado pelo Imperador D. Pedro II (tendo desembarcado na Estação Ferroviária, se hospedou na residência do Intendente, atual Casarão da Cultura – cfr. Atas da Câmara), na sua segunda viagem à Rio Claro, em novembro daquele mesmo ano. A comitiva, assinalando a sua passagem, posou para uma fotografia no local (nos anos de 1990, a competente e conceituada Arquivista Municipal, Maria Antonia Gardenal Molon, fez pesquisas junto à Fundação Biblioteca Nacional sobre o paradeiro das fotos aqui realizadas – a Instituição possui cerca de vinte e cinco mil fotografias elaboradas por Sua Majestade).
Pertencente, portanto, à fase “pioneira da indústria rioclarense”, seu funcionamento foi regulamentado pela Prefeitura Municipal, através de Decreto editado em 05 de agosto de 1893 (o abate de animais e a distribuição da carne eram realizados por concessionários mediante contrato com a Municipalidade).
Em 1933, durante a administração do Prefeito Benedicto Joly, passou por reformas que visavam à adequação do prédio às normas vigentes de higiene e saúde pública. Entretanto, a pequena obra não foi suficiente para garantir-lhe boas condições de funcionamento.
Dada à precariedade de suas instalações, o Matadouro foi fechado em 1965, pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).
Oportuno lembrar que o prédio do Matadouro Municipal foi totalmente revitalizado na década de 1980, voltando a funcionar.
Vistoriado em 1999, foi solicitada – e não atendida – a realização de pequenos reparos no prédio e limpeza da área (à época da elaboração do Levantamento Arqueológico-Histórico de Áreas de Interesse do Município de Rio Claro e região, requerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN).
O prédio conserva as mesmas linhas arquitetônicas da época em que construído; apenas as janelas originais de sua fachada foram substituídas; com parte do telhado desmoronado. Nas paredes, com reboco caído, invadidas pela vegetação (que necessitam de urgentes intervenções para consolidação), há grafite e construção anexa de um cômodo. À entrada do prédio enorme poço artesiano foi aterrado.
É nosso dever empreender esforços para a preservação deste importantíssimo patrimônio histórico rio-clarense – em nobre área urbana municipal de pelo menos dois alqueires – de forma que possa vir a ter uma destinação prática (esta porção sul da cidade poderia abrigar um complexo cultural, com biblioteca, centro de exposições… até mesmo um Museu).
Lembrado que, o Lixão Municipal, excepcional obra de “engenharia ambiental” foi formado ao lado de nascentes e do Rio Ribeirão Claro na administração do prefeito Cláudio Antonio Di Mauro.
Nesta oportunidade, registre-se a exemplar atuação do empresário Geraldo Leonardo Zanello, falecido recentemente, na defesa incansável da memória histórica rio-clarense, da preservação e conservação de bens culturais, tombados ou não, através do incentivo às publicações no “Diário do Rio Claro”.

Anselmo Ap. Selingardi Jr.
Perito Judicial em Arqueologia e Documentação Histórica
Inscrição: N. 1417 SP

 


Vista interna da parede principal em risco de desmoronamento
Vista interna da parede principal em risco de desmoronamento
“Bonsai” gigante decíduo formado na parede
“Bonsai” gigante decíduo formado na parede
Antiga residência do Intendente Dr. Siqueira Campos (atual Casarão da Cultura)
Antiga residência do Intendente Dr. Siqueira Campos (atual Casarão da Cultura)
Estruturas do Matadouro invadidas por raízes
Estruturas do Matadouro invadidas por raízes
Sala interna onde os animais permaneciam após o abate
Sala interna onde os animais permaneciam após o abate
Fachada principal do Matadouro vendo-se inscrições
Fachada principal do Matadouro vendo-se inscrições
Grafite ao fundo na parede interna do prédio
Grafite ao fundo na parede interna do prédio
Antigo prédio do Matadouro Municipal na década de 1930
Antigo prédio do Matadouro Municipal na década de 1930

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