Devemos a nossa existência ao impacto de um asteroide

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Livio Oricchio, de Monza, Itália

A imprensa do mundo todo deu grande destaque nos últimos dias à passagem do asteroide Florence a 7 milhões de quilômetros da Terra. Sua órbita ao redor do Sol o fez passar a uma distância 18 vezes maior da que a Lua se encontra do nosso planeta. Na escala cósmica, podemos dizer que passou muito perto.
Florence tem 4,4 quilômetros de extensão no eixo maior. Se a Nasa, agência que tem o mais complexo programa de monitoramento do espaço, destinado a detectar esses corpos que poem em risco a vida na Terra, tivesse descoberto que Florence poderia colidir com o planeta, a mobilização da humanidade seria total. Todos os recursos de todas as nações seriam mobilizados para evitar o choque.
Isso porque, com absoluta certeza, boa parte da vida na Terra seria aniquilada, muitas espécies seriam extintas. O número de homens e mulheres mortos atingiria a casa dos bilhões de indivíduos. Hoje 7 bilhões habitam a Terra. Seria a maior catástrofe da história da humanidade. Felizmente Florence está passando, apesar de perto, a uma distância segura da Terra.
Já da próxima vez que ele cruzar sua órbita com a do planeta não temos tanta certeza. Mas até lá, o ano 2.500, o homem terá tecnologia para não correr risco algum. Na realidade, hoje já existem recursos muito provavelmente eficientes para desviar um corpo, asteroide ou cometa, por exemplo, que poderia nos atingir. Daqui a 500 anos será uma brincadeira para a humanidade. Estima-se que dominaremos a gravidade. Dá para imaginar?
Um asteroide pode dizimar a vida, como sabemos, mas o que nem todos têm consciência é de que a espécie humana existe por causa de um asteroide ter atingido a Terra há 65 milhões de anos. Nessa época, fim do período Cretáceo, os dinossauros predominavam no planeta. E definiram um grupo de animais muito bem sucedidos, já que habitavam a Terra há nada menos de 130 milhões de anos.
Até que um belo dia uma bola incandescente apareceu no céu sobre a região hoje da província de Yucatan, no México, não distante da atual Cancun, e colidiu contra o planeta. Era um asteroide. E de dimensões generosas, 15 quilômetros no eixo maior, quase duas vezes o pico Everest, no Himalaia.
Viajava pelo espaço a algo como 14 quilômetros por segundo, semelhante a de aproximação de Florence. Em quilômetros por hora representa algo como 45 mil quilômetros por hora, ou 50 vezes mais rápido que os aviões comerciais. É muita velocidade, a energia que ele é capaz de transferir no caso de um impacto é impensavelmente elevada.
Logo depois do choque do asteroide há 65 milhões de anos, uma nuvem cobriu a maior parte do planeta, formada por partículas em suspensão, e gases, alguns tóxicos. A temperatura se elevou sobremaneira. Sem luz e sob calor letal, a maior parte das espécies, 70%, foi extinta.
Mas uma pequeno grupo de animais, com hábitos particulares, vivendo em habitat menos exposto ao da superfície, encontrou naquele momento da história da Terra a oportunidade de evoluir. Cerca de 200 mil anos depois, eles formavam a classe dos mamíferos. Estudos genéticos profundos e precisos realizados há pouco apontam que os mamíferos evoluíram a partir de um ancestral que guardava alguma semelhança com os modernos ratos. Só lembrando, os dinossauros, sua maior parte, pelo menos, eram ovíparos.
Você está certo. Esse pequeno animal que parecia um rato deu origem aos mais de 5 mil mamíferos que habitam a Terra. Dentre eles nós, os humanos.
Dá para ver que ao mesmo tempo em que uma catástrofe da dimensão da que acabou com a história dos dinossauros no planeta é também capaz de provocar uma revolução na vida? A maioria dos cientistas, de várias áreas, afirma ser obviamente impossível saber como a vida teria evoluído na Terra se o asteroide de 65 milhões de anos não a tivesse atingido.
Eles acreditam, contundo, ser pouco provável que os mamíferos tivessem se desenvolvido tanto a ponto de dar origem ao homem. Em outras palavras, devemos nossa existência ao impacto de um asteroide.
liviooricchio@gmail.com

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