Pery F.B.C. foi o primeiro clube de Rio Claro e sua história foi também documentada nas páginas do Diário

1282

A história do esporte em Rio Claro também está documentada nas páginas do Diário. E é através dela que podemos constatar que o primeiro clube fundado na cidade chamou-se “Pery F.B.C”, conforme crônica publicada no Diário:
“Em 1902 um grupo de rapazes rio-clarenses, animado da melhor bôa vontade e estimulado pelo interesse que vinha despertando o futeból na capital do Estado, onde principiavam a apparecer, com o applauso unanime da imprensa paulistana, os primeiros clubes, resolveu dotar a nossa cidade de um desses centros de esportes, escolhendo para esse fim o terreno que fronteia o casarão da extincta mechanica ou fabrica de tecidos.
A fundação do primeiro clube de futeból em Rio Claro não despertou, como era de se esperar, o enthusiasmo incentivador que precede aos grandes emprehendimentos, não só por desconhecer-se em partes as vantagens dos esportes athleticos, como, principalmente, por se ter o futeból na conta de um esporte excessivamente grosseiro.
Não obstante o modo erroneo por que era encarado esse genero de diversão, o numero de jogadores e admiradores do primeiro clube rio-clarense era bastante animador.
O jogo techico, propriamente dito, não era o mais apreciado. Constituia um triumpho e, por isso mesmo, motivo de grande alegria entre os espectadores, o facto de um jogador arremessar a pelota a grande altura. A assistencia nessas occasiões, composta de representantes do sexo forte, delirava de enthusiasmo, não regateando applausos ao heróe do brilhante feito.
O uniforme, se é que se possa chamar de uniforme as vestes differentes de vinte e dois jogadores, era o mais extravagante possivel. Jogadores barbados entravam para o campo da lucta, alguns descalços, alguns calçados e, alguns ainda, arrrastando aos pés um par de chinellos. Ás vezes o jogador sahia vertiginosamente ao encalço da pelota, mas, quasi sempre, tinha de interceptar a sua carreira, voltando contrariado a apanhar o chinello que lhe fugira dos pés, logo ao inicio da corrida. Outras vezes, quando com um valente ponta-pé tentava atirar a esphera de encontro á cobertura azul do firmamento, passava o jogador pelo desprazer de ver o seu chinello a cabriolar nas alturas, como a querer alcançar a pelota. Era a nota comica do jogo. O jogador que conseguisse, ou por meio de uma rasteira ou por outro qualquer processo menos licito, derrubar o adversario, era ovacionado delirantemente”. (fonte arquivo do Diário do Rio Claro)

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA