Diário 131 anos

Evolução gráfica, a partir da velha “Marinoni”

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Máquina rotativa da marca francesa Marinoni, semelhante à usada pelo Diário e uma das mais modernas de sua época, que imprimia, cortava e dobrava o jornal

Durante sua memorável história de 131 anos, o Diário passou por transformações, sendo as mais significativas ocorridas a partir de 1981, quando a administração da empresa foi assumida pelo empreendedor Geraldo Zanello.
Essa trajetória também está nos anais do “I Congresso de História da Mídia do Sudeste MEMÓRIA, ESPAÇO E MÍDIA”, realizado em 2010, com a coordenação de docentes e participação de alunos da Universidade Mackenzie:
No início da história do Diário, a velha Marinoni fazia impressões planas, exigindo que o papel fosse colocado folha a folha e depois dobrado manualmente. “O major David fazia compra diária de papel na Tipografia Conrado, muitas vezes com dinheiro conseguido de colaboradores. A outra parte do dinheiro vinha dos anunciantes e dos assinantes”, relata Paulo Jodate David, neto do Major.
Segundo ele, a lista de assinantes era definida pelo Major David. “Muitas vezes a pessoa começava a receber o jornal sem ter solicitado assinatura. Depois recebia a conta, acabava pagando e ficando assinante. Era assim que meu avô fazia”, diz Jodate.
“O jornal saia diariamente, menos quando faltava energia elétrica e quando a vetusta impressora Marinoni se negava a trabalhar. Quem passasse altas horas da noite pela sede do jornal, ouvia, saindo do fundo da oficina, o ritmado blém-blém da velha e resfolegante impressora clamando por substituição” , conforme destaca o historiador Aloysio Pereira em “O jornalista José David Teixeira” – Coisas da nossa história (Arquivo do Município de Rio Claro, 1985).
As compras de papel em bobinas só passaram a serem feitas muito depois, quando o jornal comprou de uma gráfica de São Paulo uma impressora Royal plana. O jornal só compraria uma impressora rotativa em 1976, quando o Jornal de Piracicaba se desfez de antigos equipamentos.
“Compramos uma rotativa 4 páginas e 2 linotipos”, disse Jodate . A rotativa foi estreada no novo prédio na Avenida 2, onde o jornal ainda funciona. “Resolvemos sair da Rua 5 porque o jornal estava crescendo e precisava de espaço. Compramos um terreno na Avenida 2 e, enquanto a obra não ficava pronta, improvisei um barracão em minha casa para instalar a impressora Royal. As oficinas continuaram na Rua 5. As ramas iam prontas para serem impressas lá em casa”. Foi assim durante quase um ano, até que o jornal mudou sua redação e oficina para a Avenida 2.
Na consulta ao acervo é possível se resgatar com detalhes fatos que marcaram a vida do município, seu cotidiano, a evolução gráfica do jornal e os costumes de épocas.
Em 3 de maio de 1927, por exemplo, o Diário publicou anúncio dos distribuidores Caetano e Castellano sobre a navalha de segurança Valet Auto Stop, no qual, pela ilustração em clichê, é possível concluir que as tais navalhas são os atuais aparelhos de barbear. Na edição de 10 de setembro de 1946, está a notícia da presença do time de futebol profissional da S.E. Palmeiras para um jogo amistoso com a Seleção Rio-clarense no dia 8 de setembro. “Após a chegada da delegação do Palmeiras, teve início o programa organizado pela C.C.E., destacando-se o seguinte: aperitivo no Excelsior, oferecido pelo sr. Antonio Padula Neto; visita a Cervejaria Rio Claro; almoço; visita ao Horto Florestal; jogos; jantar no Hotel Municipal, e regresso pelo trem das 19.14 h”, dizia. O Palmeiras venceu por 4 a 1.
Em 26 de maio de 1954, dedicou toda a segunda página para a programação dos cinemas Excelsior e Tabajara, com 5 fotografias em clichês enviados pelas distribuidoras de filmes. No dia 3 do mês seguinte, trouxe uma fotojornalismo de uma nutricionista da Walita concedendo entrevista em Ribeirão Preto.
Em 29 de junho de 1957, o Diário circulou com novo tamanho de páginas, passando de 41×28 cm para 50×33 cm de mancha. No ano de 1966, imprimiu em suas oficinas o bissemanal Tribuna Esportiva, que circulou de 9 de julho daquele ano até 1967 .
As fotográficas só apareceram com maior destaque na década de 70, quando o jornal abriu espaço às colunas sociais, conforme recorda o jornalista Marcus Vinícius Amato, que foi o colunista social no período de 1975 a 1980. “As fotos eram levadas a Campinas para a confecção dos clichês”, relata Jodate. Segundo ele, um funcionário do jornal – em geral às sextas-feiras– ia de trem até Campinas e retornava no mesmo dia com os clichês das fotografias que seriam utilizadas nas edições seguintes. “Para baratear custos, tínhamos um arquivo dos clichês de assuntos e de pessoas que poderiam voltar a ser notícia. Quando compramos a clicheria tudo ficou mais fácil e barato e o arquivo de clichê foi ampliado”, recorda Jodate. Já as fotografias eram arquivadas em caixas de sapato conforme o assunto.
Com clicheria própria, o jornal podia realizar “reportagens fotográficas” e dar nova abordagem às notícias policiais e esportivas.
Antes mesmo de passar à impressão offset, o jornal Diário experimentou a
glória de circular com páginas coloridas. Num esforço que necessariamente incluía desde redatores e o pessoal da oficina até os entregadores, em várias oportunidades algumas edições especiais de Natal ou ano novo, aniversário de Rio Claro ou do jornal, circularam com três cores. Comparado ao das impressoras atuais, era artesanal o trabalho feito pelo impressor Euclides Secco, o Cridão, e seus ajudantes. As cores eram aplicadas separadamente, exigindo, portanto, que o jornal fosse rodado três vezes. Para que tudo estivesse pronto em tempo de circular na data festiva, algumas páginas eram impressas com até 30 dias de antecedência. Mesmo a primeira página, por ser colorida, era feita muitos dias antes. As notícias do dia iam para a página 2 e 4, umas das poucas que rodavam na véspera da circulação do jornal.

UM NOVO RITMO
Injetando recursos, o empresário Geraldo Leonardo Zanello imprimiu um novo ritmo de investimento ao jornal. Ritmo que aparece efetivamente em 1983, dois anos após sua compra, quando o Diário adquiriu em um leilão uma impressora off-set por 200 mil dólares, de procedência do Mato Grosso.
O jornal começou a rodar em off-set no mesmo ano de 1983, dias antes do
previsto, pois o eixo da máquina rotoplana quebrou e o concerto demoraria cerca de dois dias. Entre não sair e adiantar a inauguração do off-set, a empresa optou pela estreia do novo equipamento.
Em 27 de outubro de 1983, o Diário do Rio Claro publicou na primeira página uma fotografia da impressora off-set com o seguinte texto: “Ontem o Diário iniciou sua impressão em off-set confeccionando o Boletim Informativo do Departamento de Urologia da Associação Paulista de Medicina, o URO Informes, tendo como editor responsável o médico urologista Dr. Geraldo E. Faria. Os resultados foram extremamente favoráveis e, dentro de alguns dias toda a edição do Diário passará neste sistema, apresentando o que há de melhor em impressão de jornal e em velocidade”.
No dia seguinte, circulou a primeira edição do Diário com fotografias em off-set. Também em 27 de outubro de 1983, o Diário anunciava flash de reportagens da rádio Itapuã, “com detalhes no dia seguinte nas páginas do Diário”.
Em 4 de dezembro de 1983, encartou o suplemento “Domingo”, um tablóide com 32 páginas produzido por sua redação.
No Natal de 1984, circulou a primeira edição off-set em cores, com o
desenho de um Papai Noel cobrindo quase toda a primeira página. Em 2 de junho de 1992, trouxe ampla reportagem da ECO-92, inclusive com textos bilíngues português/inglês, e distribuiu a edição na reunião que foi realizada no Rio de Janeiro, com representantes de países de quase todo o mundo.
Outro investimento feito pelo empresário Geraldo Zanello logo após a compra da impressora off-set foi a compra de máquinas IBM composer, a maior novidade da época e que veio facilitar e agilizar o sistema off-set.
Em dezembro de 1993, o jornal adquire os primeiros computadores, e passou a ser informatizado em janeiro de 1994.

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