Diário 131 anos

O fundador, Major David

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O Cemitério Municipal, onde está enterrado, confirma que o Major David foi sepultado em 17 de março de 1934, aos 76 anos ((foto do busto Major David na praça em frente ao Cemitério Municipal – arquivo Diário)

No livro “Vultos da história rio-clarense”, o historiador Oscar de Arruda Penteado escreve sobre o Major José David Teixeira:

O fundador do Diário do Rio Claro nasceu em Campinas, no dia 3 de maio de 1.858. Era filho do senhor David José Teixeira, que de Campinas transferiu-se para Rio Claro com sua família, a fim de dedicar-se à sua profissão de barbeiro. Assim muito jovem ainda, o filho de José David, que era dotado de inteligência rara, após terminar os seus estudos primários em Campinas, onde se sobressaiu entre os alunos seus colegas, pela facilidade em aprender as lições, foi ajudar o pai na barbearia de Rio Claro. Naquele mister, nas horas vagas, lia constantemente livros de literatura para aperfeiçoar-se no trato da língua portuguesa e na arte de escrever.
Com essa bagagem, foi trabalhar como tipógrafo na oficina dos jornais “O Tipógrafo” e o “Tempo”, editados na tipografia do Dr. Eduardo de Camargo Neves. No ambiente dos jornais e pelas constantes leituras de bons livros, projetou-se na pequena tipografia e logo em seguida entre os estudiosos da cidade, o que lhe valeu o cargo de “Inspetor das Escolas do Município”, o qual ocupou com brilhantismo e dedicação por vários anos.
Nas suas atribuições conseguiu guardar dinheiro e em março do ano de 1886, com apenas 25 anos de idade, compra de Eduardo de Camargo Neves o jornal “O Tempo” e a 1º de setembro do mesmo ano, começa a rodá-lo sob o nome de “Diário do Rio Claro”.
José David, ao seu tempo, escrevia diariamente o artigo de fundo e as colunas “Troco Miúdo” e “Cabriolas”, colunas humorísticas apreciadas pelos leitores do jornal; não raro, mostrando a sua veia poética, publicava poesias de sua lavra.
Além de jornalismo, fez também política nesta cidade, em agosto de 1892 foi eleito pelo partido Republicano “Sallista” vereador da Câmara de Rio Claro, por maioria de votos sobre os seus companheiros de chapa. Não quis tomar posse do cargo, renunciando o mandato por motivos não explicados; foi então convocado o seu suplente, o Cel. Joaquim Augusto de Salles, chefe do partido político, que não conseguira eleger-se.
Juntamente com Alfredo Ellis, Lucas do Prado, Cerqueira César, Barão de Grão Mogol e Eduardo de Camargo Neves, por pregações em recintos fechados e no seu jornal, batalhava em prol da extinção da escravatura em Rio Claro, o que conseguiu oficialmente da Câmara Municipal, a 5 de fevereiro de 1888.
Naquela data, Rio Claro, com 98 dias de antecipação, a “Lei Áurea” dava liberdade aos seus escravos, graças as pregações revolucionárias das personalidades acima citadas e ao concurso do “Diário do Rio Claro”, pelo seu Redator e Diretor José David Teixeira.
Faleceu esse ilustre jornalista em nossa cidade no dia 16 de março de 1934; em sua homenagem a Câmara de 1956, pela Lei no. 442 de 27 de agosto, deu o nome de “Major José David Teixeira”, ao logradouro público fronteiriço ao
Cemitério de São João Batista”.

“MAJOR”

Ainda que utilizasse a denominação “Major”, José David Teixeira nunca foi ligado aos setores militares.
E foi com “muita tristeza” que “redatores, colaboradores e demais funcionários anunciaram na edição 14.003, do dia 17 de março de 1934 – um sábado, a morte do “velho e querido diretor desta folha”, ocorrida as 23 horas do dia anterior, “vitimado por traiçoeira syncope cardíaca”.
Convidavam para o enterro que aconteceria no Cemitério Municipal. Trecho de uma das notícias de primeira página, dizia “…conforta-nos registrar que, antes da meia noite, a casa de residência da família do nosso diretor era pequena para conter a imensa porção de gente que foi ali fazer a última visita ao batalhador incansável e herói do jornalismo estadual”. Na parte superior da página e na inferior, foram colocadas tarjas pretas que tomavam a página de um lado ao outro.
Vale frisar que o falecimento se deu no final da noite e notícia de página inteira saiu já no dia seguinte no Diário do Rio Claro.

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