Árvore da Liberdade e três dias de festa

O "Ninho da República" inaugurou, por assim dizer, as festas que marcavam o advento da nova vida política do país. Uma comissão se empenhava para que o 30º dia da gloriosa Proclamação da República Brasileira fosse comemorado com pompa e circunstância.

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Embora velha e mal-tratada, árvore ainda resiste

E, como não poderia deixar de ser, o Diário trouxe, em sua edição de nº 925, de 17 de dezembro de 1889, a notícia da festa, que durou três dias e que teve como ponto alto o plantio da árvore que hoje dá o nome à praça da Liberdade, e é o marco das primeira homenagens aos denodados construtores da República:

“Dia 14- Desde o amanhecer e durante todo o dia que as nossas ruas apresentavam muitissima animação; pelos trens e trolys chegavam constantemente visitantes das cidades visinhas e familias do nosso municipio. O trabalho para o levantamento dos arcos triumphaes, embadeiramento das ruas e Jardim Publico, avançava e punha uma nota festiva na nossa vida social. Ao meio dia era grande a agglomeração de pessoas na estação da estrada de ferro, aguardando a chegada do professor Azarias, de Campinas. Á chegada do trem subiram ao ar muitos foguetes, tocando a banda de musica campineira a Marselheza. Ás 6 e meia horas da tarde, depois de reunidos no Jardim, desceu pela avenida 1 o préstito organisado para ir á Matriz fazer benzer o pavilhão nacional. Este era levado pelo cidadão Fileto Pereira, envolto numa alvissima toalha rendada. Ao lado do cidadão Fileto caminhavam os paranymphos, os cidadão Bento Prado e Diogo Salles. Finda a cerimonia da bençam da bandeira voltou o préstito para o jardim. Á noite, já muitas das casas que estavam embandeiradas, illuminaram as suas frentes.

O BAILE- O palacete da Philarmonica Rioclarense apresentava magnifico effeito, illuminado a ‘giorno’ todo o seu elegante jardim e embandeirado com festões e folhagens. O baile começou ás 9 e meia horas, estando o grande salão repleto de senhoras e cavalheiros. Uma salva de 21 tiros e muitas girandolas annunciaram o começo do baile. Era tanta agglomeração que só muito difficilmente se conseguia dansar em suas quadras. A mesa da explendida ceia foi franqueada á uma hora da manhã, tendo-se antes offerecido refrescos, sorvetes e o botequim do salão do bilhar estava franqueado.
Em nome da commissão organizadora do baile, da qual fez parte, fallou dando a razão dessa brilhante festa e offerecendo-a ás exmas. senhoras e senhoritas rioclarenses, o director do Diário, major José David Teixeira. (…) O baile, sempre animado, terminou ás 5 horas da manhã.

Dia 15- Ao amanhecer foi hasteada, no mastro collocado sobre a gruta do largo do Jardim Publico, a bandeira nacional tocando a banda do Azarias, a estrungida nos ares baterias e foguetes. O aspecto apresentado pela cidade era explendido; o offerecido pela avenida 1, deslumbrante! Esta avenida estava efeitada desde o primeiro arco ao lado do theatro até ao terceiro em frente ao nosso escriptorio. Quasi todas as casas estavam embandeiradas e muito adornada com gosto e tendo inscripções apropriadas á festa. Durante todo o dia foi enorme o movimento do povo na cidade (…)

O ESPETACULO DE GALA – Ás 9 horas, regorgitava de espectadores o nosso excelente Theatro Phenix, sendo já impossível obter-se entrada, pois, desde a vespera que a lotação mesmo augmentada, como foi, estava toda tomada. O espetaculo constou da apresentação, que correu regularmente, do conhecido drama de Pinheiro Chagas, ‘A Morgadinha da Val Flôr’, pela companhia dramatica da querida atriz Emilia Adelaide. Nos inttervallos fallaram os cidadãos dr. Eugenio da Fonseca, em nome da commissão dos festejos, Viera de Almeida, Ezequiel de P. Ramos e sr. D. Lacreta. Uma interessante menina recitou em scena uma poesia”.
(nota da redação: a escrita está exatamente como era nos idos de 1889)

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