Há 134 anos nada menos de 36 mil morreram na explosão vulcânica de Krakatoa

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Livio Oricchio, de Spa, Bélgica

As indicações de que algo grandioso estava prestes a acontecer naquele 27 de agosto de 1883, portanto há exatos 134 anos, na pequena ilha de Krakatoa, na Indonésia, eram muitas. Em maio, por exemplo, as erupções nos três picos do vulcão localizado na ilha se intensificaram. Os abalos sísmicos também. Tudo em escala já respeitável.
Um dia antes, às 13 horas, segundo relatos documentados por testemunhas que deixaram a ilha a tempo, a coluna de cinza ultrapassou os 20 quilômetros de altura, o fluxo piroclástico atingiu as aldeias ao redor do vulcão e tsunamis fizeram outras ilhotas submergirem. Mesmo assim, os habitantes de algumas ilhas do arquipélago não me mobilizaram, ao menos como deveriam diante das evidências da iminente catástrofe.
Pois no dia 27, as explosões e o lançamento de pedras começaram cedo, às 5h30. Um pouco mais tarde, às 6h12, nova leva, mais forte. O ruído que subia da terra começou a se tornar ensurdecedor. As 8h20, o céu de Krakatoa ficou escuro, o solo tremia, a temperatura se elevou e as ondas no mar eram altíssimas.
Ao longo dos anos, a água havia entrado em enorme quantidade na câmara de magma dos três picos do vulcão, criando no seu interior enorme pressão, decorrente da formação de vapor.
10h02: tudo vai para os ares! A maior explosão cataclísmica que a humanidade registrou dizima nada menos de 36 mil pessoas residentes nas 163 aldeias, vilas e cidades espalhadas numa área de mais de 40 quilômetros. A intensidade do evento equivale, segundo estudos recentes, à explosão de 7 mil bombas de Hiroshima.
Krakatoa localiza-se no estreito de Sunda, entre as duas maiores ilhas da Indonésia, Sumatra e Java.
Quem não morreu em decorrência da chuva de pedras e cinza, muitos sufocados, ou por serem atingidos pelos rios de lavas, acabaram afogados por ondas do mar de até 40 metros de altura. A coluna de fumaça se elevou a 80 quilômetros da superfície.
O som produzido pela explosão dos três picos vulcânicos de Krakatoa, chamados Rakata, o maior deles, com 823 metros de altura, Danan, de 445 metros, e Perboewatan, 122 metros, foi ouvido em Madagascar e na Austrália, dentre outros sítios, mais de 7 mil quilômetros distantes.
Foram necessários meses para ser possível observar o céu na região novamente e anos para que o arquipélago ganhasse um mínimo de estabilidade. A explosão de Krakatoa não extinguiu o seu vulcão. Abaixo da linha do mar suas atividades prosseguiam, ainda que mais moderadamente.
Em 1927, uma nova explosão subaquática fez emergir um nova ilha, no mesmo local onde havia Krakatoa. Os indonésios a chamaram de Ana Krakatoa, ou Filha de Krakatoa. Em 1973, seu pico já atingia 190 metros de altura. Os vulcanologistas descobriram que o pico de Ana Krakatoa cresce cerca de 5 metros por ano.
E quer saber? Ana Krakatoa está em plena atividade, lançando suas pedras e cinzas no ar. Cientistas preveem que no futuro deverá ocorrer uma erupção de proporções ainda maiores da que há 134 anos mostrou a vulnerabilidade da humanidade a fenômenos do próprio planeta. A Indonésia é o maior arquipélago da Terra, com mais de 17 mil ilhas, e está sobre o Anel de Fogo do Pacífico. Há no país nada menos de 143 vulcões ativos.
liviooricchio@gmail.com

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