Não perca, amanhã, o eclipse total do sol, ao vivo, no site da Nasa

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Livio Oricchio, de Nice, França

Quem estiver em Rio Claro e região infelizmente não verá o eclipse total do sol nessa segunda-feira, dia 21. Mas a imprensa brasileira dará destaque a esse fenômeno da natureza, mesmo com boa parte do país não fazendo parte da área atingida, ao menos pela sombra total. Vale a pena entendermos melhor o que é o eclipse total do sol. É muito interessante.
Para começar, você sabia que o diâmetro da lua, 3.400 quilômetros, é cerca de 400 vezes menor que o do sol, de 1.490.000 quilômetros? E que, por uma incrível coincidência, a lua está 400 vezes mais próxima da Terra que o sol? O nosso satélite natural encontra-se, em média, a 380 mil quilômetros de nós e o sol, a 150 milhões de quilômetros.
É por essa razão que quando a lua passa na frente do sol ela é capaz de tampar os raios de luz que atingem a Terra. Seu diâmetro corresponde, para nós que estamos na superfície do planeta, exatamente ao diâmetro do sol. Essa coincidência de órbitas capaz de um astro cobrir completamente o outro ocorre a cada 18 meses, em média, e de acordo com a órbita da Terra partes distintas da superfície são contempladas com o eclipse total.
O próximo eclipse total do sol que os brasileiros poderão observar em detalhes acontecerá apenas no dia 30 de abril de 2041, ou seja, daqui a 24 anos.
Mas com a Terra globalizada também nas comunicações, o eclipse total de sol dessa segunda-feira poderá ser acompanhado ao vivo e em cores por quem não se encontra na faixa de terra que ficará noite durante o dia. Ela se estenderá do noroeste ao sudeste dos Estados Unidos, Europa e África. Durará 2 minutos e 40 segundos. É nessa faixa que a sombra da lua será total.
Adjacente a essa área de sombra total há a chamada penumbra, ou seja, o dia anoitece, mas não totalmente. Nas latitudes mais elevadas do Brasil, ou mesmo já no hemisfério norte, em Boa Vista, Roraima, os habitantes assistirão ao eclipse apenas parcial do sol, a partir das 14h56, e em Macapá, no Amapá, 16h09.
No caso dos Estados Unidos, como lá existem cinco fusos horários e a passagem do eclipse atingirá os cinco, o que dá para dizer é que começa às 14h20 no estado de Oregon, no noroeste, hora local.
E como os Estados Unidos serão a nação mais privilegiada com o eclipse, nunca eles se prepararam tão bem para estudar o fenômeno. A Nasa se mobilizou com todo tipo de recurso, na superfície e no espaço, para registrar as imagens e procurar melhor compreendê-lo durante o eclipse e mesmo depois.
O maior interesse provém da possibilidade de estudar a coroa do sol, a região mais externa, de onde partem as partículas carregadas com carga elétrica, predominantemente prótons, portanto de carga positiva, que atingem a Terra e podem danificar satélites, espaçonaves e unidades de transmissão na superfície, dentre outros.
Do ponto de vista da população, o eclipse total representa uma oportunidade maravilhosa de ter maior contato com o vasto universo da astronomia. Mas atenção: jamais use seu binóculo ou telescópio, pois eles concentram os raios de luz e podem causar lesões sérias. Óculos de sol também não é possível. O vidro das máscaras de solda oferecem segurança e não custam caro nas casas de material de construção.
Há registros de eclipse total do sol pelos chineses desde 2 mil anos antes de Cristo, assim como não há registros de qualquer tipo de dano às populações por onde o eclipse total passa, tampouco a área de penumbra, a não ser as consequências causadas pela ignorância de parte dos cidadãos e a riqueza de interpretações surrealistas que o fenômeno gera.
O máximo que pode acontecer é assustar as aves e outros animais, por exemplo, que ficarão sem entender como anoiteceu tão cedo e como o dia clareou tão rápido. Ah, a temperatura tende a cair com a interrupção da maior parte da chegada dos raios solares ao planeta. Mas por pouco tempo.
Quer uma dica? Siga o eclipse total do sol nessa segunda-feira (21) através do site da Nasa, em tempo real: www.nasa.gov A recomendação é para você entrar no site já neste domingo, assistir ao vídeo infográfico e se inteirar do programa de transmissão. Garanto que mesmo aqueles que não se interessam muito pelo tema vão se impressionar com a riqueza das imagens, no mínimo.
liviooricchio@gmail.com

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