Há espaço para o bem?

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José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo

Sempre leio o que Nizan Guanaes escreve na Folha, pois ele é um inspirador. Estes dias brindou seus leitores com o artigo “Digitais do bem”, narrando a experiência do Museu de Arte Moderna de São Francisco. Para incentivar o gosto pela arte moderna, a diretoria do museu instituiu um aplicativo mediante o qual as pessoas mandam a mensagem “send me” (mande-me) seguida de algum verbete ou expressão. A partir daí, os curadores do museu escolhem uma obra correspondente ao desejo do usuário e, com isso, dissemina-se o acervo disponível.
A campanha viralizou e mais de dois milhões de mensagens foram enviadas em uma semana apenas. Para Nizan, “esse uso da conectividade ubíqua de nossos dias para um fim tão nobre (difundir a arte) mostra o verdadeiro potencial desta era da comunicação total”.
A sugestão é sedutora. Por que não nos servimos dessa possibilidade para garimpar aquilo de bom que acontece em nossas escolas? Posso falar pela Rede Pública Estadual da Educação Paulista. Mais de cinco mil escolas, quase quatro milhões de alunos. Sei que muita coisa interessante e louvável ocorre nesses estabelecimentos de ensino. Professores criativos, engenhosos, vocacionados, estimulam seus alunos a práticas que precisam ser disseminadas. E que podem ser customizadas, para se adaptar à realidade de cada escola.
Quando se verifica o talento de alunos nas Feiras de Ciências, em criação compatível com a de seus colegas do Primeiro Mundo, tem-se a certeza de que a aposta na criança e no jovem brasileiro tem razão de ser. Há exemplos de superação que motivam aquele que estiver desalentado. Há inúmeros projetos e programas que tiveram início de um sonho e se converteram em grandes tentos na comunidade em que surgiram, ocorreram e continuam a acontecer.
A qualidade dos filmes produzidos para os concursos “Lygia Fagundes Telles” e “Paulo Bomfim”, dão mostra de como temos valores em todas as áreas. Os “shows de talentos”, as obras publicadas com poemas, crônicas, contos, romances e ensaios produzidos pelo alunado da Rede Pública é a constatação de que mesmo em tempos difíceis, vale a pena insistir no contínuo aprimoramento da educação. Única fórmula para a ascensão digna a uma vida melhor e a um futuro compatível com o sonho que nutrimos quanto ao amanhã de nosso Brasil.

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