Darcy Ribeiro Compreendendo o Brasil Matriz Lusitana

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Na trindade majoritária étnica que compõe a formação do Brasil temos como raiz os portugueses, cuja história vem da Idade Média, e inseparável da Espanha.
O que hoje conhecemos como Portugal, uma das nações mais antigas da Europa, teve a sua independência em 1143, depois de ter passado diversos povos que deixaram suas marcas no povo que conhecemos hoje.
Sujeito às mais variadas e regulares invasões, o país recebeu uma variada sucessão de habitantes ao longo dos séculos.
Portugal, do descobrimento, rivalizava o monopólio político e econômico com a Espanha, e representava uma vanguarda para os povos europeus. Precoce como nação, suas características marcantes eram a síntese da ousadia.
Fronteiriço à Espanha, a única saída dos portugueses para o mundo era através do mar, o que o forjou como um país de pescadores e de grandes navegadores por uma questão de sobrevivência.
Foi por meio das raízes arábicas que os portugueses dominaram a técnica da construção de navios com leme e com velas, onde conseguiram enfrentar os humores do alto mar, resultando na formação tecnológica e científica de desbravadores.
Da economia agropastoril, fruto da junção de povos como lusitanos, galegos, célticos, vários caminhos formaram a gênese do povo português.
A contribuição fenícia, em síntese, está na metalurgia de ferro, nas primeiras formas de escrita, e no conceito de cidade. Os gregos e cartagineses trouxeram o espírito navegador e o comércio. Com a invasão romana, levou o latim à guerra. Os árabes ensinaram os algarismos, o mosaico colorido, o moinho de água, o azulejo, o açúcar. Do judaísmo, vieram o anel do dedo e o mercantilismo.
Com a luta pela sua independência, a expulsão dos árabes mouros, e com os castelhanos espanhóis, Portugal se firma como povo, como nação.
Dentro desse panorama histórico, o reino de Portugal fica subordinado, literalmente, ao comando romano, onde a Santa Sé tem papel preponderante quando o rei crê que sua missão agrega o processo civilizatório por meio das Cruzadas.
As Cruzadas foram movimentos militares cristãos que marcharam em direção à Terra Santa com a finalidade de ocupá-la e mantê-la sob o domínio cristão. Esse conceito estendeu-se ao novo mundo com o protagonismo de Portugal e Espanha.
O rei de Portugal, amparado pela autoridade divina, outorgada pela cadeira petrina, obtém licença para escravizar ou exterminar aqueles que não professem a fé romana, como no caso dos índios brasileiros.
Somam-se a isso as necessidades da corte mercantil que via na nova terra, uma oportunidade singular de ganhar dividendos sob a égide de uma economia escravagista. Nascem desse apoderamento das terras tupiniquins, os primeiros conflitos civilizatórios.

Henrique Matthiesen
Bacharel em direito
Jornalista

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