Você se conhece bem?

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José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo

Já não existe dúvida, hoje em dia, de que a inteligência emocional é mais importante do que a inteligência intelectual. Acostumamo-nos a adestrar as crianças e jovens, fazendo com que eles decorem, memorizem, guardem na cabeça dados, informações, datas e um acervo enorme de conhecimento disponível a uma busca muito mais facilitada num Google, por exemplo. O difícil não é guardar na memória os dados disponíveis. Isso o computador faz muito melhor do que nós. O essencial é saber usar a informação. Como filtrá-la, como e para que servir-se dela quando for a ocasião devida. E todos os momentos é ocasião de se usar algo que se aprendeu. Esse o desafio existencial.
Com vistas a investir no conhecimento e no domínio das habilidades socioemocionais, surgiram especialistas dedicados que oferecem hoje um panorama bem interessante para inspirar os educadores, os pais e toda a sociedade. O Instituto Ayrton Senna, por exemplo, comandado pela dinâmica e lúcida Viviane Senna, é um paradigma de valiosa intercessão da sociedade civil nos modelos frágeis de grande parte da educação pública. Mas existe também um Instituto Brasileiro de Coaching – IBC e uma Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional – SBie, ambos voltados ao aprofundamento desse conceito ainda não inteiramente absorvido no Brasil.
Para José Roberto Marques, Presidente do IBC, o desenvolvimento da inteligência emocional depende de técnicas que trabalham as competências individuais em cinco principais áreas: 1. autoconhecimento. Capacidade de avaliar as próprias habilidades de forma real, abrindo-se para feedbacks e para o reconhecimento de como as emoções afetam o desempenho e a maneira de agir; 2. Gerenciamento pessoal: autocontrole, que permite pensar antes de agir. Capacidade de administrar os impulsos para não perder o controle, de adaptar-se às situações, além de ter flexibilidade e foco nos momentos de pressão; 3. Motivação: para atingir objetivos pessoais, é preciso estar pronto para agarrar as oportunidades, superar obstáculos e aprender com os erros; 4. Conhecimento alheio: demonstrar sensibilidade em relação ao próximo, conquistar a confiança do outro e, se possível, aumentar o nível de satisfação das demais pessoas; 5. Gerenciamento alheio: forma de exercitar a liderança situacional, gerenciar conflitos, colaborar, trabalhar em equipe, construir liderança e desenvolver os outros. Lidar com pessoas difíceis deve ser a especialidade de todos os que querem vencer. E há muitas pessoas difíceis em nosso caminho. Não há como evitá-las. Então, é melhor conhecê-las e administrar adequadamente esse relacionamento.
O importante é que o projeto dura toda a vida. Há pausas, há retrocesssos e recomeços. Mas é isso que faz com que a existência tenha sentido. Precisamos passar pelo Planeta de forma a torná-lo um pouco melhor. É o que justifica termos nascido e estarmos nessa trajetória rumo ao encontro definitivo: aquele do qual não se escapa e que continua a ser um mistério.

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