A Praça ‘Siqueira Campos’

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Paisagem da Praça Siqueira Campos na década de 1950

A Praça Tenente Antônio de Siqueira Campos, militar e político rio-clarense – mundialmente reconhecido – situa-se na rua um, esquina da avenida um, no centro histórico da cidade (antigo Largo da Estação).
A Praça, área de proteção ambiental, contígua à Estação Ferroviária de Rio Claro (complexo arquitetônico tombado pelo CONDEPHAAT), possuía frondosas árvores – fícus – cortadas sumariamente em 1996. Foi assim nomeada em 1930 pela Câmara Municipal (autoria do Prefeito Benedicto Pires Joly), em justa homenagem aos relevantes serviços prestados por aquele Tenente à nossa Pátria. Antônio de Siqueira Campos nasceu no dia 18 de maio de 1898. Seus pais foram Raimundo Pessoa de Siqueira Campos e D. Luisa de Freitas. A família residia em imóvel localizado na avenida dois, esquina da rua seis. Era sobrinho do abastado Manuel Pessoa de Siqueira Campos; Juiz Municipal, Vereador no período de 1883 a 1886 e de 1887 a 1890 e Prefeito Municipal (tendo participado ativamente na implantação da luz elétrica, da nova nomenclatura das ruas pelo sistema numérico; inaugurou o Matadouro Municipal, o serviço de águas em chafarizes, dentre outras benfeitorias realizadas na cidade; em novembro de 1886, hospedou em sua residência o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz D. Thereza Christina, quando da segunda viagem à Rio Claro).
Siqueira Campos entrou para a Escola Prática do Exército, formou-se em 1915; com curso e treinamento na Escola Militar do Realengo (Rio de Janeiro, 1918). Escolheu a Artilharia (1919). Foi promovido como segundo-tenente (Forte de Copacabana, 1920); em 1921, então primeiro-tenente, foi nomeado Juiz da Auditoria de Guerra da 1ª Região Militar (1ª RM). Posteriormente, naquela mesma unidade, assumiu os cargos de Ajudante-Secretário e de Comandante das Torres de 190mm (duas cúpulas móveis encouraçadas, com canhões “Krupp”). Seus autores preferidos foram José Ingenieros (filósofo argentino), Pio Baroja, Blasco Ibañez, Emil Ludwig, Machado de Assis e livros de história do Brasil colonial.
A eleição de Artur Bernardes, à Presidência da República, em primeiro de março de 1922, descontentou os diversos segmentos do Exército brasileiro.
Acirrados conflitos entre o Executivo e o Exército resultaram em um sangrento combate no Forte de Copacabana. À frente do Movimento, Siqueira Campos foi alvejado com um tiro no abdome (o episódio ocorrido em 05 de julho de 1922 denominou-se “Os 18 do Forte”). Preso, concedido “Habeas Corpus”, o Tenente exilou-se no Uruguai, logo após de indeferido o pedido de baixa do Exército. Lá, dedicou-se ao comércio de importação e venda de café.
Participou do “Levante de São Borja” (1924), da “Coluna Prestes” (1924-1927) e da “Conspiração da Revolução de 1930”.
Siqueira Campos faleceu em um acidente aéreo no dia 10 de maio de 1930, quando o avião de carreira comercial em que viajava, com nome falso, caiu no Rio da Prata, próximo de Montevidéu (retornava de Buenos Aires, na Argentina, onde havia se encontrado com o líder comunista Luís Carlos Prestes).
Cumpre lembrar diversos logradouros públicos espalhados pelo Brasil levam o seu nome: no Rio de Janeiro (rua e estação de metrô), em São Paulo (parque conhecido como “Parque do Trianon”), no Belém do Pará (Praça do Relógio), além de cidade, em Minas Gerais. Sua figura em esculturas em bronze, foram, também, perpetuadas pelos escultores H. Bertazoni (Rio de Janeiro, Bairro de Copacabana, 1936) e Vilmo Rosada (Rio Claro, Jardim Público, 1962).
Na atualidade, a Praça ‘Siqueira Campos’, considerada tecnicamente como eixo principal daquele tombamento, encontra-se em grande parte descaracterizada, abandonada, em deterioração. No edifício da Estação houve modificação externa, notando-se, agora, falta de conservação e manutenção da fachada (na platibanda, cresce um “fícus”; o reboco cai). O antigo bebedouro de animais, em ferro fundido, de há muito tempo transformado em floreira, foi finalmente revitalizado. Árvores protegidas pelo tombamento foram cortadas. O marco alusivo à inauguração da Praça segue como depositário de lixo.

 

Marco alusivo à inauguração da Praça Siqueira Campos
Marco alusivo à inauguração da Praça Siqueira Campos
Detalhe da fachada da Estação vendo-se o pé de fícus
Detalhe da fachada da Estação vendo-se o pé de fícus
Bebedouro de animais transformado em floreira
Bebedouro de animais transformado em floreira
Monumento à Siqueira Campos vendo-se a assinatura do escultor
Monumento à Siqueira Campos vendo-se a assinatura do escultor

S 7

Na atualidade, bebedouro revitalizado
Na atualidade, bebedouro revitalizado
Árvores – fícus – cortados em 1996
Árvores – fícus – cortados em 1996

S 5

 
Anselmo Ap. Selingardi Jr.
Perito Judicial em Arqueologia e Documentação Histórica
Inscrição: N. 1417 SP

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