FICÇÃO E REALIDADE

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Ana Lucia Missaglia Guarnieri

Dia 29 de junho p.p., Papa Francisco celebrou, no Vaticano, Missa em comemoração aos martírios de São Pedro ( o Primeiro Papa) e de São Paulo (coluna mestra da Igreja) que foi celebrada pela Igreja Católica, em todo o mundo, Sábado e Domingo (01-02/07/2017).
Em 1980, o santo Papa João Paulo II, em sua visita ao Brasil, escrevia ao então Presidente João Figueiredo (que lhe declarara filial respeito): “Quero dirigir a V.Excia. um pensamento de profunda gratidão (…) por toda generosa colaboração e participação na minha viagem por terras brasileiras (a que chamara de Continente)”. E, no seu último discurso, proferido em Manaus, prestou homenagem aos que vieram de suas pátrias, na Europa, para nunca mais voltar, esgotando suas energias(…) dormindo o último sono em qualquer túmulo num pedaço da imensa floresta.(…) Entre eles, alguns receberam a glória dos altares (mártires do Rio Grande) bem como José de Anchieta (hoje são José de Anchieta)a quem prestou sua veneração. (Discursos de João Paulo II no Brasil, Pe. Américo Romito).
– Nesses 37 anos, entre a primeira visita do Papa João Paulo II ao Brasil e a recusa do Papa Francisco ao convite do atual Presidente para participar dos 300 anos da nossa Padroeira, o que mudou?
Na semana passada se divulgou que Gisele Bündchen, representante internacional da beleza brasileira, pediu ao Presidente pela preservação da floresta Amazônica (“pulmão verde do planeta”) enquanto a Noruega que ajudava com milhões, para o mesmo fim, suspenderá ajuda em vista do “sumiço” do dinheiro. E para toda destruição, conscientemente assumida (ou não se tem o livre arbítrio?) está ressaltando-se a palavra “ficção”.
A advertência de Paulo (I Tim., 4, 7) é:” Rejeita as fábulas profanas e os falatórios dos insensatos. Exercita-te na piedade”. O conhecimento da Verdade é que nos liberta, como afirma o Senhor ,de que são Marcos fez a distinção entre “ficção” e “realidade”: “o que entra pela boca não torna impura a pessoa, porque não vai ao coração mas, ao estômago e depois sai do corpo”(- E quantas fraldas nossas mães e avós não trocaram para higiene física do resultado que , sem exceção, não é ficção?) O que torna “fictícia” a pessoa é o que sai do coração: “os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os crimes de morte, os adultérios, as maldades, as imoralidades, invejas, calúnias, orgulho (arrogância), o falar e agir sem pensar nas consequências”. Mc. 7, 14-23( Aqui também sem exceção) .
O termo ficção é de uso recente. Como exemplo do fictício que se concretiza sem Deus, o Titanic ficou na história. Do papel do novelista Robertson(1912) para a engenharia que se colocou no lugar de Deus e afundou 1513 pessoas, 14 anos após o imaginário Titan, ressalta-se a profecia do Senhor ao tocar no atributo divino da comunicação imediata entre os homens: Fareis obras maiores que as minhas, porém cuidado para não perder a alma .Jo. ,14-12.
Ficção (do Latim, FICTIO, FINGERE, fingir, enganar, inventar) tem hoje investigada a sua origem a partir da Filosofia, da Teoria da Arte e da Arte da Comunicação, sendo o homem o único ser capaz de alterar a realidade, mas ver-se a partir de um quadro fora da tela; mesmo diante da fotografia (prova do fato) ele sabe que não é sua realidade, sem perigo de retratar-se com o cinema que imprimiu cores e movimento à imagem, a não ser, às vezes, piorar hábitos, como critica professor Cortella, em que o uso do controle remoto, diante da TV, ao ir desprezando imagens, cria o costume de repetir isso, com as pessoas à sua volta.- Há aqui alguma dose de cidadania, moral ou ética? E na troca de tiros entre policiais e traficantes, nas favelas do Rio, ceifando vidas inocentes? Policial, atrás da estátua de Cartola, que cantava o Amor, atira como se a vida fosse um nada. (Reportagem do Fantástico, 02/07/2017)
Foi Frei Leonardo Boff que ao definir ética (do Grego, ETHOS, moradia humana) explicou que a má distribuição da renda impede a morada saudável material, psicológica e espiritualmente”. (Realidade, substantivo derivado de Real, Realeza, já supõe que o “seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu” reflita o Reino de Deus, a obra do Pai, por meio do Espírito Santo, até o fim dos tempos.).E Boff acrescenta que a injustiça rompe laços de solidariedade, extingue o direito, lança populações inteiras a condições de vida abaixo da dignidade humana.
Entre Ficção e Realidade, Frei Stecanella nos deu a receita: “A porta para entrar no Reino de Deus é estreita, é como a catraca: vai de um em um”. E Boff conclui: “ em meio a situações escandalosas, enriquecimento ilícito de alguns, prosperidade da hipocrisia, é fácil o apoio de todos os circunstantes”. (Como o fruto podre, que apodrece os agregados. Ou como o bom fermento na massa, que multiplica os pães para todos).

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