Nasa trabalha em um novo avião comercial supersônico

Livio Oricchio, de Nice, França

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Você é passageiro e está voando no Airbus A350, a última aeronave comercial a entrar em serviço, dia 14 de junho de 2013, através da Qatar Airways. A cada lançamento de um novo avião sentimos de imediato os seus benefícios em quase todas as áreas do voo.

Voltemos no tempo, ao distante 2 de maio de 1952, quando a Boac, empresa aérea britânica, chocou o mundo com o primeiro voo comercial de um avião a jato, o De Haviland Comet. Era duas vezes mais rápido que os melhores aviões da época, como o Constellation, quadrimotor a hélice, e voava pelo menos duas vezes mais alto.

Alguém que estivesse nesse voo pioneiro do Comet e, 61 anos mais tarde, no primeiro voo do Airbus A350, certamente se impressionaria com o avanço da aviação. Em primeiro lugar, a segurança de modo geral.

Se fosse um pouco a fundo, entenderia as diferenças no material empregado na construção das aeronaves, cada vez mais leves e resistentes, nas turbinas, hoje mais potentes, silenciosas e econômicas, no impressionante emprego da eletrônica para gerenciar a maioria dos sistemas, conferindo-lhes grande automação, tornando os pilotos quase que apenas controladores se esses sistemas funcionam de acordo com a orientação do fabricante.

Podemos levar nosso passageiro até o primeiro voo do primeiro jato comercial de grande sucesso, o que não foi o caso do Comet, o Boeing 707. Ele voou, com a pintura da Pan Am, de Nova York a Paris no dia 26 de outubro de 1958.

Pronto, nosso passageiro tem já três experiências fantásticas. Esteve no voo inaugural do Comet, do Boeing 707 e do Airbus A350, ele é a própria história viva da aviação.

Mas supondo que esses primeiros voos fossem na mesma rota, pode ser a do Boeing 707, entre Nova York e Paris, por exemplo. Nosso passageiro levaria um susto: esses três ícones dos ares levariam quase que o mesmo tempo de voo entre as duas cidades, apesar dos 61 anos de idade do A350 para o Comet e 55 para o Boeing 707.

Como mencionado, a aviação evoluiu exponencialmente em todas as áreas nesse período, exceto em um: a velocidade de cruzeiro, ou a velocidade normal de deslocamento com o voo nivelado. Se o nosso passageiro estudasse as características de cada uma das três aeronaves se chocaria ao ver que as três, apesar dos imensos avanços introduzidos ao longo dos anos, voam a cerca de 900 km/h.

A novidade nessa área veio do Concorde, que no seu voo inaugural, no dia 26 de janeiro de 1976, entre Paris e o Rio de Janeiro, superou e em muito a velocidade do som (1.224 km/h), ao voar em impressionantes 2.158 km/h. Quando todos pensaram que aquele era o futuro, o próximo passo da aviação, eis que as coisas andaram para trás. O custo operacional e os protestos gerados pelo elevado ruído do Concorde, em especial quando superava a barreira do som, o que provoca o som de uma explosão, comprometeram a vida do Concorde. Assim, no dia 24 de outubro de 2003 realizou seu último voo.

De lá para cá, as duas maiores indústrias aeronáuticas do mundo, a Airbus e a Boeing, concentraram-se em melhorar em tudo os novos aviões que lançaram. O voo supersônico não entrou na lista de prioridades das duas.

Essa história pode, agora, mudar. A Nasa, a agência espacial norte-americana, informou, esta semana, ter estabelecido um contrato com a empresa norte-americana Lockheed Martin para o desenvolvimento do projeto de uma aeronave comercial supersônica. Os desenhos da versão básica já foram concluídos e até mesmo os ensaios de um modelo em escala estão em curso no túnel de vento supersônico do Centro de Pesquisa Glen da Nasa, em Cleveland.

O projeto leva muito em conta os problemas que inviabilizaram o sucesso do Concorde, custo operacional desproporcionalmente alto e nível de ruído capaz de mobilizar a população para protestar contra seu uso. E a Nasa informou que os engenheiros envolvidos conseguiram, também, transformar o clássico estrondo da superação da barreira do som a um ruído de intensidade aceitável. Você tem detalhes do projeto no site na Nasa: www.nasa.gov

O primeiros testes de um protótipo estão previstos para 2021. Se tudo der certo, uma grande empresa se interessar em trabalhar a tecnologia que está sendo desenvolvida, para atender às necessidades econômicas e ambientais de hoje, daqui a sete, oito anos é bem provável que uma empresa aérea decole para uma nova era do voo supersônico. Quem sabe o nosso passageiro possa estar a bordo também e depois nos conte como foi.

Se isso acontecer, a humanidade finalmente dará o passo adiante na velocidade dos voos, o que não aconteceu desde o início dos anos 50. Continuamos a voar de Londres a Nova York em 8 horas.

liviooricchio@gmail.com

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