O Natalício do Escultor Vilmo Rosada

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Residência do escultor Vilmo Rosada

Nesta semana, comemorativa da fundação de Rio Claro, o aniversário de nascimento do rio-clarense Vilmo Rosada, um dos principais escultores do Brasil – mundialmente reconhecido – está completando cento e (112) doze anos. Vilmo Tullio Rosada nasceu em Udine, província de Veneza, Itália, em 23 de junho de 1905.
Desde criança mirou-se nos ensinamentos de seu pai, Giuseppi (José) Rosada, consagrado escultor e pintor, com obras na Europa, em países da América do Sul e no Brasil, onde a partir de 1914, já viúvo, fixou residência na cidade de Campinas. Pelas centenas de obras realizadas naquele município, José Rosada foi homenageado com a colocação de seu nome numa rua do Jardim Ouro Branco.
Em 1920, aos quinze anos, Vilmo chegou ao Brasil, juntamente os com seus irmãos Gioconda e Leonildo. Ao pedido do pai iniciou curso de escultura na Academia de Belas Artes de Milão e na Régia Academia de Belas Artes de Veneza. Retornando à Itália em 1924, para cumprimento do serviço militar na cidade de Pávia, completou os seus estudos anteriormente iniciado nas referidas Academias.
Após três anos, retornou ao Brasil, em 1927, voltando a trabalhar com seu pai. José Rosada faleceu prematuramente na cidade de Campinas, em 1933.
Em Campinas, Vilmo Rosada, dando continuidade aos trabalhos, conheceu a rioclarense Belmira Mônaco (que fazia estudos), casando-se em 1934. Belmira Mônaco Rosada, de tradicional família de Rio Claro, era filha de Antônio Monaco “de Luca”, carismático fazendeiro, muito conhecido e respeitado por seus contemporâneos.
Residiu no casarão da avenida três, esquina com a rua sete (o antigo prédio do Hotel Central faz parte do casarão), muito bem conservado até hoje.
Com a realização da escultura em bronze do Monsenhor Botti, em 1940, Vilmo transferiu-se para Rio Claro (passando a trabalhar na antiga garagem do casarão pertencente à família de sua esposa).
Teve três filhos; Maria Elizabete, residente em Rio Claro, Neuza Maria e Antônio.
Sua residência, (anexa ao ateliê), na avenida cinco, relevante patrimônio histórico rioclarense, obra do engenheiro Flávio Santomauro, exibe belíssimas esculturas que a decoram externa e internamente. Havendo notícia que o casarão em estilo “Art Déco”, na avenida um, onde morou o Dr. José Marciano (fundador do antigo “Instituto Cirurgico Santa Philomena”), possui apliques ornamentais da autoria do escultor.
Como seu pai, Vilmo Rosada deixou centenas de obras (sobretudo em Rio Claro), espalhadas pelo Estado de São Paulo, pelo Brasil e países da América do Sul e Europa. Com notório reconhecimento internacional.
Na capital, há o Mausoléu aos Heróis da Polícia Militar, no Cemitério do Araçá (onde o modelo original em gesso, do soldado militar, permanecia exposto na 1ª Cia.- P M de Rio Claro).
Em 1935, à entrada do Cemitério de São João Batista foi erigido o Monumento ao Soldado Constitucionalista (escultura em bronze, obra-prima do Artista), projeto solicitado pelo então prefeito Humberto Cartolano. O histórico jazigo da família A. Monaco de Luca é ornado com belos medalhões. Sem contar inúmeros outros túmulos decorados com máscaras e esculturas.
A Loja Maçônica “Estrela de Rio Claro” guarda diversas obras de Vilmo Rosada, verdadeiras relíquias. Dentre estas, destacam-se os painéis em altos e baixos-relevos sobre fatos históricos do Brasil; o Grito da Independência, a Assinatura da Lei Áurea e o Julgamento de Tiradentes.
Dos muitos Monumentos de personalidades que embelezam os logradouros públicos e Instituições rioclarenses encontram-se as hermas de Carlos de Carvalho (notável contabilista, com inúmeras publicações); Alfredo Ellis (Senador da República, um dos pioneiros na libertação dos escravos em Rio Claro); Camões (maior poeta português); Arthur Lucchini Bilac (professor, poeta, Vereador, Presidente da Câmara e fundador do Instituto Comercial de Rio Claro); Conde Francisco Matarazzo Jr. (renomado Industrial); Dr. Vasco da Silva Mello (conceituado médico); Dr. Lineo de Paula Machado (proprietário da Fazenda São José, grande incentivador da aviação rioclarense); Dr. Eloy de Miranda Chaves (Secretário de Estado, Presidente Central Elétrica de Rio Claro); Dr. Edmundo Navarro de Andrade (engenheiro agrônomo da Cia. Paulista, introdutor do eucalipto no Brasil); Major José David Teixeira (jornalista, fundador do “Diário do Rio Claro”); Coronel Joaquim Ribeiro dos Santos (fundador do Instituto Joaquim Ribeiro e o Hospital Evangélico); Plínio Salgado; Padre Paulo P. Schmidt; Siqueira Campos; Humberto Cartolano; Nicolau Scarpa (transferido para São Paulo); Floriano Bianchini; Dr. Paulo Koelle e Dr. Augusto Schmidt Filho. Cumpre lembrar que as valiosas esculturas de duas bailarinas que ornavam as paredes do Cine Teatro Variedades estão em lugar incerto.
O escultor faleceu em nossa cidade, aos 82 anos, em 05 de setembro de 1987.
Em 2000-2001, com o acompanhamento arqueológico das obras de reforma do casarão da família A. Monaco de Luca (hoje, sofisticado “Centro Odontológico”), onde se procurou preservar a maioria das características originais do imóvel, foram descobertas pinturas murais na varanda da entrada de acesso pela rua sete; quatro pinturas internas (paisagens), no hall (duas desaparecidas com as obras de reforma), bordadura de parede no salão principal, perdida com o rebaixamento do teto (possivelmente atribuídas ao artista plástico Alfredo Franhan), além de vários objetos dos séculos XIX e XX, como louças (fragmentos cimentados junto ao alicerce, azulejos ingleses), porcelanas (tampa de bule intacta, decorada nas cores azul e branco), vidros, metais (cartuchos de balas, válvula “sapo”, base de escovão), materiais elétricos, etc.
José e Vilmo Rosada marcaram o seu tempo e a nossa cidade com obras de artes que a tornaram mais bela e a projetaram internacionalmente.
Lamentavelmente, muito embora a Secretaria da Cultura seja depositária do precioso acervo documental e iconográfico de tão prestigiado escultor brasileiro, e acima de tudo, rioclarense, seu centenário natalício passou despercebido pelas autoridades municipais.

Anselmo Ap. Selingardi Jr.
Perito Judicial em Arqueologia e Documentação Histórica
Inscrição: N. 1417 SP

“Minhas Filhas”, gesso pintado, 1954, V. Rosada
“Minhas Filhas”, gesso pintado, 1954, V. Rosada
Bordadura na sala principal do casarão da família “de Luca”
Bordadura na sala principal do casarão da família “de Luca”
Antigo local do monumento ao Mons. Botti em frente à Matriz         (foto: Artibano Spedo)
Antigo local do monumento ao Mons. Botti em frente à Matriz
(foto: Artibano Spedo)
Monumento ao Dr. Vasco da Silva Mello na Praça da Liberdade         (foto: Artibano Spedo)
Monumento ao Dr. Vasco da Silva Mello na Praça da Liberdade
(foto: Artibano Spedo)
Estátuas de Atlas sustentam a varanda da residência do escultor
Estátuas de Atlas sustentam a varanda da residência do escultor
Residência do escultor Vilmo Rosada
Residência do escultor Vilmo Rosada
Casarão em estilo “Art Déco” antiga moradia do Dr. Marciano
Casarão em estilo “Art Déco” antiga moradia do Dr. Marciano
Monumento ao Sesquicentenário no “Lago Azul” em abandono
Monumento ao Sesquicentenário no “Lago Azul” em abandono
Detalhe do jazigo da família A. Monaco de Luca
Detalhe do jazigo da família A. Monaco de Luca

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Casarão restaurado da família A. Monaco de Luca
Casarão restaurado da família A. Monaco de Luca

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